Publicado 08/06/2026 06:05

Kallas não considera a Rússia "preparada" para negociar e pede mais apoio à Ucrânia

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, em declarações à imprensa durante um Conselho de Relações Externas (CRE) realizado nesta segunda-feira em Bruxelas
FRANCOIS LENOIR

BRUXELAS 8 jun. (EUROPA PRESS) -

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, afirmou nesta segunda-feira que não vê a Rússia ainda "preparada" para avançar em direção a negociações com a Ucrânia, ao mesmo tempo em que defendeu aumentar a pressão sobre Moscou e reforçar o apoio a Kiev para aproximar uma futura solução para o conflito.

"Tenho a impressão de que a Rússia ainda não está preparada. Por isso, também precisamos de mais paciência estratégica. Não somos nós que estamos pedindo essas conversas. Na verdade, é a Rússia que tem de falar conosco se quiser pôr fim a esta guerra”, afirmou ao chegar à reunião informal dos ministros da Defesa da UE em Nicósia (Chipre).

Kallas insistiu que a UE deve fazer “tudo o que for possível” para que a Rússia e a Ucrânia se sentem à mesa de negociações, embora tenha alertado que Moscou deve primeiro dar passos concretos para demonstrar sua disposição de avançar em direção a uma solução diplomática.

"No final, terão de chegar a um acordo", afirmou a chefe da diplomacia comunitária, que observou que a continuidade dos ataques russos dificulta, por enquanto, falar de um cenário real de negociações.

Nesse sentido, defendeu aumentar a pressão sobre o Kremlin e, ao mesmo tempo, reforçar o apoio europeu a Kiev. “A primeira coisa que deveriam fazer é acordar um cessar-fogo e sentar-se à mesa de negociações. No entanto, também observamos certos movimentos dentro da Rússia que mostram que nem todos estão satisfeitos com a continuidade desta guerra. Por isso, devemos aumentar a pressão sobre a Rússia e, ao mesmo tempo, intensificar nosso apoio à Ucrânia”, acrescentou.

A líder europeia ressaltou ainda que qualquer eventual acordo deverá levar em conta os interesses de segurança europeus, especialmente em questões como um possível alívio das sanções ou o desbloqueio de ativos russos congelados.

"Também temos de ter em conta os nossos interesses europeus fundamentais", afirmou Kallas, que lembrou que os ministros das Relações Exteriores da UE já debateram na semana passada quais devem ser as exigências do bloco para futuras conversas com Moscou.

A UCRÂNIA PODERIA “LEVAR” PUTIN A NEGOCIAR

Por sua vez, o comissário europeu da Defesa, Andrius Kubilius, considerou que a evolução recente da guerra poderia contribuir para aproximar um cenário de negociação, ao afirmar que a Ucrânia está melhorando sua posição tanto no terreno quanto com os ataques de longo alcance.

“Parece que a Ucrânia está começando a se impor em diferentes frentes, tanto no terreno, perto de Donetsk e Pokrovsk, quanto com os ataques em profundidade. E isso está mudando toda a narrativa, toda a percepção, a ponto de poder empurrar Putin para negociar”, afirmou.

O político lituano defendeu igualmente o aumento do apoio europeu à Ucrânia e destacou que os Estados-membros dispõem de margem para manter um alto nível de assistência militar a Kiev, ao considerar que uma posição mais forte da Ucrânia no terreno é o melhor caminho para aproximar uma paz duradoura.

As declarações de Kallas e Kubilius surgem depois que o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, o presidente francês, Emmanuel Macron, o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, se reunissem neste domingo em Londres e defendessem um cessar-fogo com a Rússia, acompanhado de garantias de segurança para a Ucrânia.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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