Ela atribui a crise energética da ilha ao impacto de “restrições externas”, mas evita mencionar o bloqueio dos Estados Unidos
BRUXELAS, 19 maio (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, exigiu nesta terça-feira às autoridades cubanas o “fim da repressão política” e do “controle absoluto” da economia, ao mesmo tempo em que defendeu a necessidade de reformas políticas e econômicas “significativas” para evitar o “colapso” do país.
"Havana deve pôr fim à repressão política e ao seu controle absoluto sobre a economia, que está travando o país", afirmou durante um debate no plenário do Parlamento Europeu em Estrasburgo (França) sobre a situação em Cuba, onde alertou que o 'statu quo' da ilha "já não é admissível" após décadas de decisões que, em sua opinião, prejudicaram tanto o país quanto a população cubana.
A chefe da diplomacia europeia lamentou que milhões de cubanos sofram com cortes diários de energia elétrica, escassez de medicamentos e alimentos, bem como com a deterioração dos serviços públicos e dificuldades crescentes para acessar a assistência médica básica.
Nesse sentido, ela atribuiu a crise energética e econômica a “fracassos econômicos estruturais”, “políticas deficientes” e também ao “impacto das restrições externas em vigor”, embora não tenha mencionado diretamente o bloqueio dos Estados Unidos à ilha, que se intensificou desde o início deste ano.
Kallas insistiu que as autoridades cubanas devem libertar as pessoas detidas “arbitrariamente”, avançar em direção a reformas políticas e econômicas e abrir o país “à democracia”, ressaltando que essa mensagem constitui um “consenso” entre os Estados-membros da UE. “Os cubanos merecem uma vida melhor. Merecem mais liberdade e oportunidades”, afirmou.
Além disso, defendeu que a abertura à iniciativa privada, ao investimento, ao empreendedorismo e à modernização econômica é “essencial” para estabilizar a situação do país, ressaltando que uma reforma econômica sustentável requer “segurança jurídica, atores econômicos independentes e liberdade”.
APOIO DA UE A CUBA
A política estoniana indicou ainda que a UE continuará apoiando a população cubana com ajuda humanitária e destacou a recente mobilização de seis milhões de euros adicionais para atender a necessidades urgentes. Segundo ela, o financiamento europeu é canalizado por meio de organizações internacionais, agências dos Estados-Membros e parceiros europeus. “A União Europeia não financia o Estado cubano”, reforçou.
Durante sua intervenção, Kallas também defendeu o Acordo de Diálogo Político e Cooperação entre a UE e Cuba como um marco para abordar questões como direitos humanos, presos políticos ou preocupações geopolíticas, embora tenha reconhecido que, após quase uma década em vigor, “não produziu os frutos” esperados e precisa de uma revisão.
No entanto, destacou a resiliência do povo como “extraordinária”, mas lamentou que esta “não possa substituir a reforma”. “Não pode compensar o fracasso econômico e o crescente isolamento. O apoio humanitário não resolverá a crise de Cuba, mas apenas aliviará o sofrimento humano imediato”, acrescentou.
Kallas, que afirmou, com base na experiência de ter “vivido sob o comunismo” em seu país — a Estônia —, que “o comunismo nunca funciona”, assegurou que um caminho “aberto e credível para o futuro” para Cuba “só pode ser traçado pelos próprios cubanos”.
“Uma maior instabilidade em Cuba apenas acarreta maiores consequências humanitárias, migratórias e de segurança para o povo cubano, mas também para uma região mais ampla. Uma reforma negociada hoje é preferível ao colapso amanhã”, concluiu.
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