BRUXELAS 18 jun. (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, evitou nesta quinta-feira confirmar se, durante uma reunião a portas fechadas, comparou Israel ao regime do apartheid na África do Sul, uma acusação que levou o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, a anunciar o rompimento das relações com a chefe da diplomacia europeia.
“Não vou comentar nada do que foi ou não foi dito a portas fechadas. Tenho que lidar com esse tipo de questão todas as semanas. Portanto, vamos nos ater às declarações que faço publicamente todas as semanas. Essa é a posição europeia que estou representando”, ressaltou a chefe da diplomacia europeia ao ser questionada sobre a polêmica ao chegar à cúpula de líderes em Bruxelas.
No entanto, ela reiterou sua posição como representante do bloco e reconheceu as divergências com o governo israelense, admitindo ter mantido conversas “abertas e difíceis”, embora tenha insistido na necessidade de manter os canais diplomáticos abertos.
“É verdade que nem sempre concordamos em todos os pontos de vista. Temos sido muito críticos e mantive algumas conversas abertas e difíceis, embora considere que tenham sido construtivas e devamos seguir por esse caminho”, afirmou.
De qualquer forma, Kallas admitiu que não se pode “negar a realidade e que o diálogo deve permanecer aberto”, uma ideia que já havia defendido horas antes nas redes sociais, após a divulgação da decisão do governo israelense de romper relações com ela.
A líder estoniana insistiu que a posição da União continua a mesma: “apoio à solução de dois Estados, aumento da ajuda humanitária para assistir à população palestina e condenação da violência dos colonos israelenses na Cisjordânia”.
“Eu defendo essa posição todas as semanas. Vamos nos ater às declarações públicas que fazemos semanalmente. Essa é a posição europeia que represento”, insistiu.
As declarações de Kallas ocorrem depois que Saar anunciou nesta quinta-feira a suspensão de “todos os contatos” com a Alta Representante, a quem acusa de agir de forma “obsessiva” e “flagrantemente injusta” em relação a Israel.
Uma decisão que o ministro justificou citando informações publicadas sobre uma suposta comparação feita por Kallas entre Israel e o regime do apartheid sul-africano durante uma reunião realizada no âmbito de uma viagem oficial ao México.
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