BRUXELAS 18 jun. (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa e de Segurança Comum, Kaja Kallas, reagiu ao rompimento das relações diplomáticas com a UE anunciado por Israel, defendendo o diálogo como “base da diplomacia” e reafirmando a condenação da União Europeia aos “assentamentos ilegais” israelenses na Cisjordânia.
A chefe da diplomacia europeia se dirigiu ao seu homólogo israelense, Gideon Saar, lembrando-lhe que “a União Europeia e Israel têm muito” que os une, e se mostrando disposta a “continuar” com o diálogo e o compromisso nas relações bilaterais “de maneira respeitosa e construtiva”.
“O diálogo é a base da diplomacia, especialmente quando surgem divergências. A União Europeia está sempre comprometida com uma relação construtiva com Israel”, indicou ela em uma breve mensagem nas redes sociais.
A política estoniana defendeu que, para trazer a paz ao Oriente Médio, “a solução de dois Estados continua sendo o único caminho viável”. Ela também reiterou a condenação dos Vinte e Sete “aos assentamentos ilegais israelenses na Cisjordânia” que, em sua opinião, “tornam cada vez mais difícil alcançar esse objetivo”. “Essa é a posição da UE”, concluiu.
As declarações de Kallas ocorreram depois que o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, anunciou que cortaria “todos os contatos” com a Alta Representante por ela supostamente ter comparado o país à África do Sul do apartheid.
Saar indicou, em outra mensagem nas redes sociais, que Kallas “vem agindo há algum tempo de forma obsessiva e flagrantemente injusta em relação ao Estado de Israel”, antes de se referir às recentes informações sobre essa suposta comparação durante uma reunião a portas fechadas no âmbito de uma viagem oficial ao México.
“Recentemente, foi divulgado que, durante sua visita ao México, ela comparou Israel ao regime racista do Apartheid que existia na África do Sul. Agradeço aos inúmeros representantes eleitos europeus que condenaram essa grave declaração”, afirmou, ao mesmo tempo em que destacou que a própria Kallas não se pronunciou sobre o ocorrido.
Em seguida, Saar explicou que “como ministro das Relações Exteriores do Estado de Israel, não há outra opção a não ser cortar todos os contatos com Kallas até que ela retire a calúnia de sangue que dirigiu contra o único Estado judeu, que é também a única democracia do Oriente Médio”. “É isso que vou fazer”, concluiu.
Questionado durante uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira em Bruxelas, o porta-voz de Relações Exteriores da Comissão, Anouar el Anouani, evitou responder se Kallas havia comparado as ações de Israel ao apartheid sul-africano, limitando-se a dizer que “tem sido sistematicamente clara sobre a importância do diálogo e do compromisso com Israel”.
“Ela manteve contatos frequentes com Saar, tratou de todas as questões de interesse comum e se comprometeu com uma relação construtiva com Israel. A UE e Israel têm muito em comum; é uma democracia vibrante; a diplomacia, quando surgem divergências; a solução de dois Estados continua sendo o único caminho viável para uma paz duradoura”, concluiu.
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