Publicado 21/04/2026 14:28

Kallas espera que a Hungria libere os fundos para a Ucrânia “em 24 horas” após a reparação do oleoduto Druzhba

Ucrânia critica Hungria após acusações de vazamentos para a Rússia: “Espero que Moscou tenha perdido seu informante VIP”

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, em uma coletiva de imprensa após o Conselho de Relações Externas (CRE) realizado nesta terça-feira em Luxemburgo.
FRANCOIS LENOIR

BRUXELAS, 21 abr. (EUROPA PRESS) -

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, manifestou seu desejo de que a Hungria retire seu veto ao empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia, depois que seu presidente, Volodimir Zelenski, anunciou a reparação do oleoduto Druzhba, que estava há meses sem funcionar devido a um ataque russo.

Em uma coletiva de imprensa em Luxemburgo após uma reunião dos ministros das Relações Exteriores da UE, Kallas parabenizou Kiev por cumprir sua promessa de reparar a infraestrutura energética e destacou a necessidade de Budapeste suspender seu bloqueio agora que “todos os obstáculos foram eliminados”.

“Esperamos um acordo em 24 horas, então não quero dar azar. Espero que tudo corra bem, pois já vimos algumas reviravoltas neste caso”, acrescentou Kallas, lembrando que o empréstimo à Ucrânia foi acordado no Conselho Europeu de dezembro, com o voto favorável do então primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán.

Após afirmar que, apesar da reparação do oleoduto, a Hungria deveria deixar de depender do fluxo de petróleo russo até o final de 2027, Kallas também destacou a necessidade de que o “impulso” em Budapeste após a derrota eleitoral de Orbán facilite também a aprovação do vigésimo pacote de sanções contra a Rússia — que está “muito atrasado” — e o início das negociações para o vigésimo primeiro.

“Também deveríamos rever decisões bloqueadas há muito tempo, incluindo a abertura dos capítulos de adesão da Ucrânia à UE, bem como o fundo de armas do Fundo Europeu de Apoio à Paz. Deveríamos rever sanções que estão em discussão e que não foram acordadas anteriormente”, prosseguiu.

O OLEODUTO DRUZHBA, REPARADO

As declarações de Kallas ocorrem após o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, ter confirmado a conclusão das obras de reparo do oleoduto Druzhba, a artéria mais importante para o transporte de petróleo russo para a Europa Central e que estava há meses sem funcionar devido a um ataque russo.

“Conforme acordado com a União Europeia, a Ucrânia concluiu as obras de reparo no trecho do oleoduto Druzhba que foi danificado por um ataque russo”, indicou o líder ucraniano em uma mensagem nas redes sociais, na qual apresentou uma atualização sobre a situação energética do país.

Segundo Zelenski, o oleoduto agora “pode retomar seu funcionamento”. “Embora atualmente ninguém possa garantir que a Rússia não repita ataques contra a infraestrutura do oleoduto, nossos especialistas garantiram as condições básicas para restabelecer o funcionamento do sistema de tubulação e do equipamento”, afirmou.

O oleoduto Druzhba tem sido alvo de recriminações mútuas entre a Hungria e a Ucrânia devido à falta de vontade de Kiev em proceder à sua reparação em meio aos contínuos atritos com o governo de Viktor Orbán, que, por sua vez, é o principal obstáculo à aproximação da Ucrânia à UE.

Nesse sentido, o líder ucraniano destacou que agora Kiev espera “o desbloqueio do pacote de apoio europeu à Ucrânia”, de 90 bilhões de euros, que já havia sido aprovado inicialmente pela UE, mas cuja aprovação formal estava bloqueada pela Hungria em plena disputa com Orbán.

UCRÂNIA: “ESPERO QUE MOSCOU TENHA PERDIDO SEU INFORMANTE VIP”

Nesse contexto, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andri Síbiha, que participou por videoconferência durante o Conselho de Relações Exteriores (CAE) realizado em Luxemburgo, aproveitou a reunião para criticar a Hungria pelas informações que indicam que Budapeste teria compartilhado com a Rússia o conteúdo de debates a portas fechadas em reuniões de ministros do bloco.

“Espero que Moscou tenha perdido aqui seu informante VIP de uma vez por todas”, afirmou Síbiha durante sua intervenção, conforme confirmado à Europa Press por fontes europeias, em um comentário que reflete a desconfiança de Kiev em relação ao governo de Viktor Orbán, já em saída após a vitória eleitoral do futuro primeiro-ministro da Hungria, Peter Magyar.

Há várias semanas, um consórcio de mídia investigativa — como VSquare, ICJK e Delfi — publicou novas informações sobre a coordenação entre Budapeste e Moscou para bloquear decisões internas da União, incluindo o áudio de uma conversa do ministro das Relações Exteriores húngaro, Péter Szijjarto, com seu homólogo russo, Sergei Lavrov, na qual o primeiro se oferece para enviar ao segundo documentos discutidos entre os 27 sobre a possível adesão da Ucrânia ao bloco.

Na ligação entre os dois, ouve-se Lavrov perguntando sobre as condições que a UE estabeleceria para o processo de adesão da Ucrânia e como o ministro húngaro se oferece para lhe enviar os documentos por meio da Embaixada da Hungria em Moscou, sem especificar de quais documentos se trata concretamente.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado