FRANCOIS LENOIR / EUROPEAN COUNCIL
BRUXELAS 21 abr. (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas, manifestou confiança de que amanhã, quarta-feira, haja “decisões positivas” que permitam desbloquear o empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia, que os 27 acordaram conceder em dezembro passado, mas que o governo cessante da Hungria bloqueia ao condicionar seu desembolso à reabertura do fluxo de petróleo para seu país pelo oleoduto Druzhba, danificado ao passar pela Ucrânia devido a ataques russos.
“Esperamos algumas decisões positivas amanhã (quarta-feira) em relação ao empréstimo de 90 bilhões. A Ucrânia realmente precisa desse empréstimo e isso também é um sinal de que a Rússia não poderá resistir mais do que a Ucrânia”, argumentou Kallas em declarações à imprensa ao chegar a uma reunião de ministros das Relações Exteriores da UE em Luxemburgo.
Dessa forma, a chefe da diplomacia europeia referiu-se veladamente à reunião que os embaixadores dos Vinte e Sete terão na quarta-feira em Bruxelas para tentar adotar o último dos procedimentos internos necessários para iniciar os desembolsos a Kiev, o que exige uma emenda ao orçamento europeu vetada por Budapeste.
Com a troca na liderança do governo húngaro no início de maio, após a vitória do líder da oposição, Péter Magyar, sobre o primeiro-ministro ultranacionalista Viktor Orbán, Bruxelas espera que sejam acelerados os processos que até agora a Hungria vinha travando, como o empréstimo a Kiev, mas também o vigésimo pacote de sanções contra a Rússia, e, nesse contexto, já mantém contatos em nível técnico com a equipe que formará o novo governo.
No entanto, Kallas alertou que não pode “falar em nome do novo governo húngaro” e que será preciso esperar que ele assuma o cargo para questioná-lo sobre suas posições em relação a esses e outros assuntos de interesse para a União.
Ainda assim, a Alta Representante assinalou que estão “reabrindo as discussões” sobre “muitas questões que estavam bloqueadas” e que, nesse contexto, a União espera “obter resultados positivos”.
Além da mudança no governo húngaro, o próprio primeiro-ministro cessante demonstrou nos últimos dias sua disposição de levantar o bloqueio ao empréstimo, desde que seja restabelecido o abastecimento do oleoduto Druzhba, sobre o qual Bruxelas tenta mediar entre Budapeste e Kiev.
“Recebemos uma indicação da Ucrânia de que estão dispostos a restabelecer as entregas de petróleo já nesta segunda-feira, desde que a Hungria levante seu bloqueio ao empréstimo”, escreveu Orbán no fim de semana em suas redes sociais, para deixar claro, de qualquer forma, que “sem petróleo não há dinheiro”.
Fontes do governo húngaro consultadas pela Europa Press sobre o assunto afirmam que a posição de Budapeste não mudou e é “coerente”, já que dará “luz verde” ao desembolso assim que o petróleo “voltar a circular”.
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