Publicado 28/05/2026 10:25

Kallas descarta a UE como mediadora com a Rússia: "Temos estado claramente do lado da Ucrânia"

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas
KYRIAKOS H.

BRUXELAS 28 maio (EUROPA PRESS) -

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, descartou nesta quinta-feira que a UE não possa atuar como mediadora entre a Rússia e a Ucrânia por não ser “neutra”, estar “do lado” de Kiev e por defender “os interesses da Europa”, incluindo os da Ucrânia, que também faz parte do continente.

Foi o que afirmou Kallas em uma coletiva de imprensa após a reunião informal dos ministros das Relações Exteriores da UE realizada em Chipre, onde lembrou que todas as concessões até agora foram feitas pela parte ucraniana e que a Europa deve ajudar Kiev nas negociações, mas sem tratar ambas as partes de forma igual.

“Não podemos ser mediadores, não podemos ser neutros tratando ambas as partes da mesma forma, porque temos estado claramente do lado da Ucrânia”, sublinhou a chefe da diplomacia europeia, acrescentando que também não pode fazê-lo porque a União defende os seus “próprios interesses fundamentais de segurança”.

Na opinião de Kallas, o que a União Europeia pode fazer é inclinar “a balança” para o lado da Ucrânia, já que “todas as concessões até agora” foram feitas pela parte ucraniana, mas “também deveria haver concessões por parte da Rússia”. “Ou seja, deveríamos ajudá-los nessas negociações, mas realmente não podemos ser mediadores”, prosseguiu em sua explicação.

Kallas relembrou a lista de concessões a exigir da Rússia em eventuais negociações, elaborada em fevereiro para ser apresentada aos Vinte e Sete, e detalhou algumas das novas “exigências legítimas” da União para garantir que qualquer paz seja duradoura.

Entre elas, destaca-se um cessar-fogo incondicional como “pré-requisito” para qualquer negociação, bem como a cessação das operações de sabotagem, dos ataques cibernéticos e da interferência eleitoral russa, e que também não haja reconhecimento legal dos territórios ucranianos ocupados.

“Qualquer acordo de paz deve reconhecer plenamente a soberania, a independência e o direito da Ucrânia de escolher suas próprias alianças”, acrescentou, citando também a necessidade de que qualquer limitação imposta ao Exército ucraniano seja recíproca nas Forças Armadas russas.

Dito isso, ele afirmou que é “muito importante” que a União Europeia “incentive” a Ucrânia e a Rússia “a dialogarem entre si”, pois há muitas questões “sobre as quais somente elas podem decidir e mais ninguém”. Pode haver países, segundo Kallas, “que exerçam essa diplomacia” de apoio, mas “no final, têm de ser elas que se sentem à mesa para discutir essas questões que somente elas podem resolver”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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