Publicado 20/04/2026 12:00

Kallas defende medidas comerciais contra Israel diante da falta de maioria para suspender o Acordo de Associação

Ela considera plausível que se alcance unanimidade para sancionar os colonos israelenses na Cisjordânia após a mudança de governo na Hungria

A Alta Representante da UE, Kaja Kallas, na reunião da Aliança Global para a Implementação da Solução de Dois Estados.
LUKASZ KOBUS

BRUXELAS, 20 abr. (EUROPA PRESS) -

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, afirmou que, antes da suspensão total do Acordo de Associação com Israel — que requer unanimidade dos Vinte e Sete —, a União Europeia “deveria” optar por medidas restritivas que possam ser aprovadas apenas por maioria qualificada, como as comerciais.

Foi o que ela afirmou em uma coletiva de imprensa em Bruxelas, antes de copresidir com a Noruega uma reunião do Comitê de Ligação Ad Hoc (AHLC) sobre a Palestina, ao ser questionada sobre os pedidos de países como Espanha, Eslovênia ou Irlanda, que exigiram à UE a suspensão total ou parcial do Acordo de Associação com Israel.

“Sim, os Estados-Membros colocaram em discussão a suspensão do Acordo de Associação, o que requer uma posição unificada”, constatou Kallas, que lembrou que já havia “em discussão” uma proposta da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para uma suspensão parcial que exigiria “maioria qualificada”.

“Acho que seria preciso avaliar se é possível avançar com elas, se os Estados-membros têm a vontade de fazê-lo, para exercer pressão sobre Israel”, acrescentou a chefe da diplomacia europeia, afirmando que o andamento do acordo de paz em Gaza e a ofensiva de Israel no Líbano serão debatidos no Conselho de Relações Externas (CRE) que se realiza nesta terça-feira em Luxemburgo.

As declarações de Kallas ocorrem depois que, na sexta-feira, Espanha, Irlanda e Eslovênia solicitaram um debate formal sobre o Acordo de Associação com Israel, no qual “todas as medidas fossem mantidas em aberto”, o que incluiria sua suspensão, à luz das medidas e ações que o governo de Benjamin Netanyahu vem realizando.

Na carta, à qual a Europa Press teve acesso, os ministros das Relações Exteriores desses três países, entre eles José Manuel Albares, afirmam que “dado o nível de violência e a gravidade da situação atual”, mencionando Gaza, Cisjordânia e Líbano, entre outras questões, “é urgente rever a questão da resposta da UE, incluindo as propostas apresentadas pela presidente da Comissão”, Ursula Von der Leyen, em setembro passado, para uma suspensão parcial do acordo.

Essa proposta da chefe do Executivo comunitário previa a suspensão de algumas disposições do Acordo de Associação entre a UE e Israel que, na prática, implicaria a reintrodução de tarifas e a suspensão de fundos, mas não romperia as relações comerciais, ficando sua aprovação sujeita ao apoio de uma maioria qualificada dos Vinte e Sete.

Por esse motivo, dado que a suspensão parcial ainda não obteve o apoio necessário, uma suspensão total do Acordo de Associação com Israel parece mais complicada, pois exigiria a aprovação de todos e cada um dos 27 Estados-membros da União Europeia.

POSSÍVEIS SANÇÕES CONTRA OS COLONOS NA CISJORDÂNIA

Questionada sobre se há algum avanço no seio do bloco comunitário para a aprovação de sanções contra colonos israelenses na Cisjordânia, o que também requer a unanimidade dos Vinte e Sete, Kallas mostrou-se otimista quanto ao fato de que a mudança de governo na Hungria abra as portas para a adoção de medidas restritivas.

“Somos 27 países e 26 deles querem aplicar sanções aos colonos violentos. Um não quer, porque temos os métodos de trabalho tal como estão até agora (...) Ora bem, esse país realizou eleições e terá um novo governo. Não vou falar em nome do novo governo, mas sem dúvida acredito que podemos examinar todas essas políticas e ver se elas têm uma nova abordagem”, afirmou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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