FRANCOIS LENOIR // EUROPEAN COUNCIL
BRUXELAS 20 out. (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, reiterou nesta segunda-feira a defesa da integridade territorial da Ucrânia, em meio às tentativas dos Estados Unidos de pôr fim ao conflito em seus contatos diretos com a Rússia, afirmando que Kiev é a parte prejudicada no conflito e não deve ser submetida a pressões.
Após relatos da reunião do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca com seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, na qual o primeiro teria instado a Ucrânia a aceitar as condições russas para a paz, incluindo a cessão de territórios no Donbas, o chefe da diplomacia europeia pediu mais pressão sobre a Rússia, afirmando que "pressionar a Ucrânia não é a abordagem correta".
"Não devemos esquecer que a Rússia é o agressor e a Ucrânia é a vítima nesse conflito", disse ela em uma coletiva de imprensa após a reunião com os ministros das Relações Exteriores da UE em Luxemburgo, rejeitando a possível cessão de territórios em troca do fim do conflito na Ucrânia.
"Todos dizem que a integridade territorial é um valor importante que defendemos. Tenho que me manter firme nisso, porque se simplesmente cedermos esses territórios, isso enviará uma mensagem ao mundo inteiro de que você pode usar a força contra seus vizinhos e conseguir o que quer", argumentou.
Ele pediu para continuar defendendo esses "princípios" que a UE vem enfatizando desde que a guerra em Donbas começou em 2014 e a Rússia anexou a península da Crimeia. "Há uma diferença entre a situação real no terreno e o status legal de um território. O que pode ser recuperado militarmente é uma coisa; o que reconhecemos legalmente como território soberano de uma nação é outra", alertou.
AS BOAS "INTENÇÕES" DE TRUMP
Apesar de considerar que Trump tem uma intenção "sincera" de acabar com a guerra na Ucrânia, a Alta Representante ressaltou que é a Rússia que continua com o esforço de guerra e os ataques contra civis, portanto, a conquista é fazer com que Moscou "também queira a paz".
Por isso, ela defendeu o "roteiro" da UE para aumentar as sanções contra a economia russa e encarecer sua máquina de guerra, uma agenda sobre a qual os 27 esperam tomar medidas na cúpula de líderes desta quinta-feira para desbloquear a aprovação da 19ª rodada de sanções.
"A economia russa está tendo dificuldades. As guerras geralmente terminam quando um dos lados fica sem dinheiro, e é por isso que impusemos sanções: para enfraquecer a capacidade da Rússia de manter a guerra", disse Kallas, que afirmou que a força da Rússia às vezes é "superestimada", enquanto a resiliência da Europa é "subestimada".
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