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BRUXELAS, 24 mar. (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, discutirá com o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, as informações que o acusam de ter supostamente compartilhado com a Rússia o conteúdo de debates a portas fechadas em reuniões de ministros do bloco.
Em uma coletiva de imprensa em Bruxelas, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da UE, Anitta Hipper, revelou que a chefe da diplomacia europeia “entrará em contato” com o ministro das Relações Exteriores da Hungria, embora não tenha dado, por enquanto, mais detalhes sobre quando e quais assuntos específicos serão discutidos.
No entanto, ela afirmou que a Alta Representante “espera que o dever legal de cooperação sincera seja respeitado em todos os momentos” e que “todos os Estados-membros” apoiem a União Europeia na consecução desse objetivo, evitando “qualquer ação que possa minar tal propósito”.
Já nesta segunda-feira, a Comissão Europeia solicitou explicações ao governo da Hungria sobre as informações “preocupantes” publicadas pelo jornal norte-americano “The Washington Post”, que detalham que o governo húngaro vem, há anos, vazando para o Kremlin informações confidenciais sobre o que é discutido nas reuniões de ministros europeus que os 27 realizam regularmente no âmbito do Conselho da UE.
“As notícias de que o ministro das Relações Exteriores da Hungria teria supostamente revelado ao seu homólogo russo o conteúdo de uma discussão ministerial a portas fechadas no Conselho são profundamente preocupantes”, afirmou em outra coletiva de imprensa a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Anitta Hipper.
De acordo com o que foi publicado pelo “The Washington Post”, o chefe da diplomacia húngara faz ligações “regularmente” nos intervalos das reuniões dos ministros dos 27 para transmitir ao seu homólogo russo, Sergei Lavrov, “informações diretas sobre o que foi discutido” em Bruxelas e coordenar possíveis respostas.
MINISTRO ADMITE LIGAÇÕES PARA LAVROV
O próprio Szijjártó se defendeu durante o fim de semana contra essas informações, garantindo que eram “notícias falsas, como sempre”, e que estavam sendo divulgadas “para apoiar o partido Tisza”, formação da oposição que lidera as pesquisas, e para “conseguir um governo fantoche belicista na Hungria”.
No entanto, nesta mesma segunda-feira, em um evento de campanha para as eleições que serão realizadas no país no próximo dia 12 de abril, o ministro das Relações Exteriores húngaro afirmou que é “natural” que, após as reuniões com seus homólogos da UE, ele converse com os chefes diplomáticos de “países terceiros”, segundo o jornal ‘Magyar Nemzet’.
Na sua opinião, nas reuniões dos ministros das Relações Exteriores dos Vinte e Sete “são tomadas muitas decisões que afetam as relações da Hungria com países que não pertencem à União Europeia”, Estados com os quais “a cooperação é de vital importância para a Hungria” em áreas como a economia, a segurança ou o abastecimento energético.
“Esses países terceiros devem ser consultados sobre as decisões que podem ser ou serão tomadas nessas reuniões do Conselho”, acrescentou, mencionando entre esses Estados a Rússia, a Turquia, Israel ou os Estados Unidos, entre outros.
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