Publicado 17/02/2025 13:21

Kallas aponta a América Latina como parceira geopolítica diante das ameaças à ordem mundial

4 de fevereiro de 2025, Bruxelas, Bélgica: A Alta Representante/Vice-Presidente Kaja Kallas realiza uma coletiva de imprensa na sede da Comissão Europeia em Bruxelas, Bélgica, em 04/02/2025, após a reunião do Grupo Central sobre a criação de um tribunal e
Europa Press/Contacto/Wiktor Dabkowski

BRUXELAS 17 fev. (EUROPA PRESS) -

A Alta Representante da União Europeia, Kaja Kallas, apontou nesta segunda-feira a América Latina como um parceiro geopolítico confiável diante das ameaças à ordem global, do cenário de um mundo dividido em blocos e da dinâmica de "acordos e transações de curto prazo".

Em discurso no início do V Seminário de Alto Nível 'América Latina e Caribe de volta ao radar da política europeia', no Parlamento Europeu, a chefe da diplomacia europeia defendeu a América Latina e o Caribe como "parte da solução" diante de um panorama internacional "mais incerto", marcado por "guerra, volatilidade econômica, competição e rejeição de normas globais".

Em um de seus primeiros discursos sobre a América Latina, ele enfatizou que tanto a UE quanto a região rejeitam "dependências" e "esferas de influência". "Não queremos um mundo dividido em blocos", argumentou, delineando interesses comuns com a região. Kallas enfatizou que a UE prioriza a "cooperação recíproca de longo prazo" em detrimento da "competição egoísta de curto prazo", e insistiu em ter "parcerias de longo prazo com parceiros confiáveis e fidedignos" para enfrentar tempos de "incerteza".

E, sem fazer alusão aos Estados Unidos, ele rejeitou o isolacionismo político e comercial, assegurando que "erguer barreiras protetoras" e "dizer que não precisamos do resto do mundo" não é a maneira de agir dos europeus. Ele apontou a América Latina como um ator geopolítico e global com um papel "crucial" na formação do futuro do mundo, e delineou uma série de interesses comuns além das questões comerciais após a assinatura do acordo com o Mercosul e o México.

EM UM MUNDO DE GIGANTES, AS REGRAS SÃO A "ARMA NUCLEAR" DOS PAÍSES PEQUENOS

Para o ex-primeiro-ministro da Estônia, a proteção e a reforma da ordem mundial baseada em regras devem ser uma frente comum de cooperação com a América Latina e o Caribe, já que "em um mundo de gigantes, as regras são a proteção, a arma nuclear dos Estados menores".

"Juntos, promovemos a paz, a segurança, a democracia e o multilateralismo. Representamos um terço dos membros das Nações Unidas", argumentou, destacando que a UE e a região da América Latina e do Caribe têm uma frente comum na defesa do direito internacional, diante de situações como a agressão da Rússia contra a Ucrânia.

Com relação às questões da agenda bilateral, Kallas pediu o fortalecimento da cooperação policial e judicial na luta contra o tráfico de drogas e o crime organizado, uma "ameaça comum a ambas as regiões".

RELAÇÕES ORDENADAS COM A AMÉRICA LATINA

Por sua vez, o presidente da delegação da Assembleia Parlamentar Euro-Latino-Americana, o "popular" eurodeputado Gabriel Mato, defendeu o fortalecimento dos laços históricos e políticos que unem o bloco europeu à região latino-americana, em um ano em que a cúpula UE-CELAC será realizada na Colômbia.

Dessa forma, Mato insistiu que a "segurança compartilhada" é um pilar fundamental das relações, enfatizando que os desafios globais na política externa "exigem respostas coordenadas e conjuntas". Ela também defendeu não apenas a promoção do comércio e dos investimentos, mas também "condições justas" para os agricultores e o respeito ao comércio justo.

Enquanto isso, o presidente da Fundação Euroamerica, Ramón Jáuregui, elogiou a estrutura "regulamentada" das relações comerciais com a região, ressaltando que esse é precisamente o modelo de relações comerciais ao qual a UE aspira, em vez de "uma guerra de tarifas" e "uma espécie de selva de conflitos dos mais fortes contra os mais fortes".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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