BRUXELAS 8 jun. (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, apelou nesta segunda-feira ao Irã e a Israel para que se sentem à mesa de negociações após mais uma noite de escalada no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que defendeu que a prioridade deve ser alcançar um cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz.
“Durante a noite, assistimos novamente a uma escalada. Acredito que a região não precisa de uma escalada, mas sim que as partes se sentem à mesa de negociações e cheguem a um acordo”, afirmou Kallas em declarações à imprensa ao chegar à reunião informal dos ministros da Defesa da UE em Nicósia (Chipre).
Nesse sentido, a chefe da diplomacia europeia insistiu que a saída para o conflito deve ser diplomática e ressaltou que, no caso do Estreito de Ormuz, são o Irã e os Estados Unidos que “precisam chegar a um acordo”.
“Quando se trata, por exemplo, do Estreito de Ormuz, o Irã e os Estados Unidos precisam chegar a um acordo. Por isso insistimos que deve haver uma solução diplomática e que ambas as partes devem sentar-se à mesa”, afirmou.
Questionada se a UE está condenada a esperar por um cessar-fogo ou se contempla medidas adicionais de apoio, ela indicou que os Vinte e Sete podem contribuir assim que for alcançado o cessar-fogo, entre outras coisas com a escolta de navios, uma questão que, segundo ela garantiu, será abordada nesta segunda-feira pelos ministros da Defesa.
"É claro que podemos ajudar após o cessar-fogo, inclusive escoltando navios, e vamos debater isso hoje. Mas o primeiro ponto é realmente o cessar-fogo", ressaltou.
Kallas garantiu que a UE está em contato com ambas as partes para transmitir a mensagem de que uma trégua é “muito esperada”, ao mesmo tempo em que defendeu o fim da guerra, a abertura do Estreito de Ormuz e, posteriormente, o aproveitamento da margem diplomática para abordar questões mais complexas.
“Pôr fim a esta guerra agora mesmo, abrir o estreito de Ormuz e, depois, usar o tempo para debates mais aprofundados sobre os temas mais difíceis, como a questão nuclear, mas também outras questões críticas que estão em jogo”, assinalou.
No entanto, a chefe da diplomacia europeia admitiu que a margem de manobra da UE é limitada nesta fase do conflito. “Só podemos fazer até certo ponto, por isso estamos tentando transmitir essas mensagens”, concluiu.
As declarações de Kallas surgem após uma nova escalada no Oriente Médio, depois que Israel bombardeou neste domingo o sul de Beirute e o Irã respondeu com várias rajadas de mísseis contra Israel, em uma troca de ataques que continuou durante a madrugada com novas operações israelenses contra alvos militares em território iraniano.
Os últimos acontecimentos ocorrem, além disso, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pediria ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que não respondesse aos ataques iranianos para facilitar uma saída negociada para o conflito e assegurasse posteriormente que o líder israelense “não terá outra escolha” a não ser aceitar qualquer acordo alcançado entre Washington e Teerã.
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