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BRUXELAS 13 fev. (EUROPA PRESS) - A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, alertou que o Conselho de Segurança da ONU “não funciona como deveria”, entre outros motivos porque não existe “prestação de contas” e porque “há países que estão acima” do Direito Internacional.
Assim o afirmou durante uma mesa redonda sobre a necessidade ou não de reformar a ordem internacional durante a Conferência de Segurança de Munique (Alemanha), que se realiza este fim de semana, e na qual defendeu a necessidade de reformar o sistema multilateral para que todos os países “sejam iguais”. “O Conselho de Segurança não está a funcionar como deveria. As Nações Unidas não refletem o mundo tal como ele é atualmente”, lamentou a chefe da diplomacia europeia, apelando para que se aproveite a atual crise da ordem mundial como uma “oportunidade” para “realmente desenvolver um mundo” baseado em regras e onde haja “prestação de contas”.
Kallas continuou sua explicação indicando que, se existem regras e “alguém as viola, mesmo os países mais poderosos”, deve haver “algum tipo de prestação de contas” para eles, para depois lembrar que a ordem internacional atual foi estabelecida “após a Segunda Guerra Mundial, e tudo o que estava acontecendo na época foi levado em consideração”.
Essas regras já “não servem ao mundo”, afirmou ele, referindo-se ao Conselho de Segurança da ONU, cujos membros permanentes — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — têm poder de veto, o que impede a adoção de sanções contra eles quando não cumprem os princípios da Carta da ONU, entre outras questões.
“O que vemos no mundo é que, muitas vezes, um país decide iniciar uma guerra contra outro. Assim, envia muitos irmãos, pais e filhos para matar outros irmãos, pais e filhos. E não há responsabilização por essa única decisão que, na realidade, causa a morte de tantas pessoas”, acrescentou a política estoniana.
Depois de lembrar que as capitais da União Europeia por si só são “pequenas” e que, por isso, precisam de “uma ordem baseada em regras”, apelou à formação de “associações baseadas na dignidade” e onde “realmente importe o que pensam” os outros Estados, “porque se os países forem tratados de forma igual, também há menos possibilidades de guerra e tirania”.
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