Publicado 17/03/2026 14:43

Kallas alerta que o bloqueio das sanções contra a Rússia e do empréstimo à Ucrânia coloca "em risco" a segurança europeia

Ela afirma que “este não é o momento” para a UE mudar “sua ambição” de um mundo regido por normas internacionais “sólidas”

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas.
JULIEN POHL

BRUXELAS, 17 mar. (EUROPA PRESS) -

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, alertou que a incapacidade dos 27 de chegarem a um acordo para aprovar o vigésimo pacote de sanções contra a Rússia ou o empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia para cobrir suas necessidades urgentes de financiamento está colocando “em risco” a segurança da UE.

Durante uma intervenção nesta terça-feira na Comissão de Relações Externas do Parlamento Europeu, a chefe da diplomacia europeia expressou seu desejo de que os líderes da UE consigam superar o veto da Hungria a essas duas medidas na cúpula do Conselho Europeu que ocorre nesta quinta e sexta-feira em Bruxelas.

“Nossa incapacidade de chegar a um acordo sobre o vigésimo pacote de sanções ou sobre o empréstimo de apoio à Ucrânia está realmente colocando em risco a segurança da União Europeia. Essas são questões que devem ser resolvidas durante a reunião dos líderes europeus nesta semana”, indicou Kallas.

A política estoniana reiterou que, com o aumento dos preços da energia em consequência da guerra no Oriente Médio, a Rússia está lucrando com o conflito, razão pela qual Moscou tem interesse em que a guerra e o bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irã continuem “quanto mais tempo, melhor”.

“Agora eles podem, mais uma vez, financiar a guerra por muito mais tempo”, prosseguiu ela em sua explicação, lamentando em seguida a decisão dos Estados Unidos de suavizar as sanções ao petróleo russo, pois isso ocorreu “no pior momento” para a Ucrânia.

“A Europa deve mitigar o aumento dos lucros energéticos da Rússia aumentando nossa própria pressão por meio de sanções e acabando também com a ‘frota fantasma’ de Moscou”, acrescentou Kallas, apelando novamente para que o empréstimo à Ucrânia e o novo pacote de sanções contra a Rússia sejam desbloqueados ainda esta semana, pois, caso contrário, a UE marcará “um gol contra”.

MANTER-SE FIRME NO DIREITO INTERNACIONAL

Por outro lado, Kallas fez um apelo diante do clima atual, “especialmente agora” com a escalada militar no Oriente Médio, defendendo que a União Europeia “deve continuar sendo uma firme defensora e campeã” do Direito Internacional Humanitário e da ajuda humanitária.

Assim, citou como exemplo a resposta humanitária dos Vinte e Sete que, após os ataques de Israel ao Líbano na semana passada, recorreram “rapidamente” às reservas de ajuda de emergência para disponibilizar assistência a mais de 130.000 pessoas. Também indicou que a UE trabalhará este ano para que a ação humanitária coletiva seja ainda “mais rápida e eficaz” em tempos de crise.

Na sua opinião, a União deve, além disso, “investir em parcerias” porque “fortalecem a resiliência da Europa” como “uma força global”, aproveitando o fato de que uma “grande maioria do mundo” busca “a estabilidade e a previsibilidade que proporciona uma ordem baseada em regras” e, portanto, de Bruxelas.

Da mesma forma, ela destacou que a Europa “não precisa distinguir entre valores e interesses”, porque seus valores são também seus interesses, e porque, no contexto atual, “o mundo está de olho na Europa” e conta com a UE.

“Este não é o momento para a Europa reconsiderar sua identidade, suas prioridades ou sua ambição de um mundo pacífico regido por normas e instituições internacionais sólidas (...) Agora é o momento de nos mantermos firmes naquilo em que acreditamos, incluindo o Direito Internacional; de defender nossa união, de construir estabilidade em nossa vizinhança e de estabelecer a mais ampla rede de parceiros internacionais”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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