A chefe da diplomacia europeia pede aos EUA e ao Irã que cessem primeiro os ataques e abram o Estreito de Ormuz para desbloquear as negociações
BRUXELAS, 18 maio (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, advertiu nesta segunda-feira que aceitar as condições do Irã para a passagem pelo estreito de Ormuz acabaria por legitimar o bloqueio da liberdade de navegação em outros pontos críticos do mundo, razão pela qual defendeu que as rotas marítimas internacionais sejam “livres e abertas a todos”.
Questionada sobre as negociações paralisadas entre os Estados Unidos e o Irã devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, a chefe da diplomacia europeia voltou a rejeitar a ideia de uma taxa de passagem marítima, como Teerã pretende impor, e alertou que a imposição de condições sobre quem pode passar poderia abrir um precedente para outros pontos críticos da navegação global.
“Se você começa a impor condições sobre o que pode ou não passar, então já está entrando na lógica de que limitar essa passagem é, de alguma forma, legítimo”, indicou em declarações à imprensa antes de participar do Conselho de Relações Externas (CAE) sobre desenvolvimento, que se realiza nesta segunda-feira em Bruxelas.
“Estamos tentando pressionar e convencer todos os atores de que a liberdade de navegação deve ser respeitada, porque vemos outros estreitos no mundo que poderiam ser instrumentalizados de forma semelhante, e isso não beneficia ninguém”, prosseguiu a política estoniana em sua explicação.
Depois de comemorar que o presidente da China, Xi Jinping, tenha expressado ao ocupante da Casa Branca, Donald Trump, sua defesa da livre navegação pelo estreito de Ormuz, rejeitando a cobrança de uma taxa para transitar pela zona, ela manifestou seu desejo de que Pequim use sua influência para convencer Teerã a abrir o estreito de Ormuz.
PRIMEIRA FASE: ABRIR O ESTREITO DE ORMUZ
Kallas também constatou que as negociações entre os Estados Unidos e o Irã, “com ameaças constantes e acusações mútuas”, estão “em um impasse”, e lamentou que “o problema” seja que nenhuma das duas partes aceita “nenhum tipo de mediação”.
“Portanto, não temos muita capacidade de influência sobre nenhuma das duas. É claro que estamos em contato constante e dizendo que, pelo menos, deveríamos chegar a um acordo em uma primeira fase: interromper os ataques e abrir o estreito de Ormuz”, indicou a Alta Representante.
Depois, em sua opinião, já será possível avançar “para negociar as questões realmente difíceis”. “Mas é muito complicado e, no fim das contas, os Estados Unidos precisam chegar a um acordo com o Irã”, concluiu Kallas.
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