CHRISTIAN CREUTZ / EUROPEAN PARLIAMENT - Arquivo
BRUXELAS 9 set. (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da União Europeia para Política Externa, Kaja Kallas, admitiu nesta terça-feira que "a catástrofe humanitária em Gaza está testando" a capacidade de união da Europa, ao contrário da guerra de agressão da Rússia na Ucrânia.
"Ao contrário da Ucrânia, a catástrofe humanitária em Gaza está testando a determinação da Europa porque não estamos unidos", disse a chefe da diplomacia europeia na sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo (França).
Na semana passada, a Comissão Europeia disse que não tinha nenhuma posição sobre se a ofensiva israelense na Faixa de Gaza é um "genocídio", conforme descrito pela vice-presidente executiva para Transição Limpa, Teresa Ribera, que lamentou a "incapacidade" da Europa de "falar com uma só voz" sobre o conflito, algo que a própria Kallas reconhece agora.
No entanto, a Alta Representante defendeu o fato de que "a Europa não ficou de braços cruzados" e pediu "esforços diplomáticos contínuos com o governo israelense". "Se não nos engajarmos no diálogo, não chegaremos a lugar algum", enfatizou.
"Não pouparei esforços para progredir. Continuarei nesse caminho", disse Kallas, que instou a UE-27 a "chegar a um acordo sobre como fazer com que o governo israelense mude de rumo", enquanto vários Estados-Membros, como a Espanha e a Bélgica, já adotaram medidas nacionais em resposta às ações do governo de Benjamin Netanyahu.
"Mas não podemos agir como uma união até que os Estados membros compartilhem a mesma opinião sobre o que fazer. Não é hora de apontar o dedo, mas de nos unirmos para encontrar soluções", enfatizou o ex-primeiro-ministro da Estônia, que destacou os "muitos pontos" sobre os quais há acordo.
"Todos concordamos com o diagnóstico e os objetivos: pôr fim ao sofrimento, acabar com o conflito e garantir a libertação de todos os reféns", disse ela, antes de pedir a cooperação do Parlamento nessa tarefa.
A resolução sobre Gaza deve ser votada na quinta-feira, embora haja diferenças de opinião entre os grupos sobre a linguagem e o tom da resolução.
RESOLUÇÃO SOBRE GAZA
Enquanto os social-democratas querem que o texto descreva a ofensiva israelense na Faixa de Gaza como "genocídio" ou inclua expressões como "crimes de guerra", o Partido Popular Europeu quer uma resposta "firme, calma e responsável".
"A União Europeia tem a responsabilidade de agir como um mediador honesto, com coerência, unidade e determinação", disse Antonio López-Ustúriz, que também criticou as medidas contra Israel anunciadas pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, "longe de favorecer a paz, elas correm o risco de enfraquecer a luta contra o terrorismo e aumentar a instabilidade na região".
Em resposta, o eurodeputado do PSOE, Nacho Sánchez Amor, pediu que "passemos da mera descrição do horror para sua qualificação política e jurídica e para a atribuição de responsabilidades dentro e fora da União Europeia". "Devemos abandonar a linguagem de madeira e chamar as coisas pelo nome", disse ele.
Quanto à resolução, fontes parlamentares indicaram que os grupos já apresentaram suas propostas para moldar o texto final, que será negociado a partir da tarde de terça-feira e, previsivelmente, "até o último momento".
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