Ela alerta que a Rússia poderia testar a defesa da UE dentro de três a cinco anos e que seu objetivo final é toda a Europa
BRUXELAS, 19 maio (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, afirmou nesta terça-feira que a dissuasão da OTAN na Europa permanece “intacta” apesar da decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar 5.000 soldados americanos destacados em solo alemão, embora tenha alertado que a UE deve assumir uma maior responsabilidade em sua própria defesa.
Foi o que garantiu a chefe da diplomacia europeia durante um debate no plenário do Parlamento Europeu, realizado nesta terça-feira em Estrasburgo (França), sobre qual deve ser a resposta da União à redução das forças militares americanas na Europa, à luz das últimas decisões do ocupante da Casa Branca.
“Esses anúncios fazem parte dessa tendência mais ampla, mas a dissuasão da OTAN permanece intacta, e a OTAN continuará mantendo uma presença sólida em seu flanco oriental, porque agora não é o momento de parecer fracos”, indicou Kallas, que, no entanto, constatou que já se previa que Washington poderia retirar tropas da Europa para concentrar sua atenção no Indo-Pacífico e no hemisfério ocidental.
Embora tenha sustentado que a presença de soldados americanos na Europa “também é do interesse dos Estados Unidos”, defendeu que a União Europeia “deve assumir maior responsabilidade pela sua própria defesa” para manter seus Estados-membros seguros, fortalecendo a preparação defensiva europeia e aumentando os gastos com defesa.
Kallas fez um apelo para “colmatar as lacunas de capacidade” da UE e ampliar a produção europeia de defesa. “Tudo isso tem um custo, mas dissuadir a agressão é mais barato do que travar uma guerra”, prosseguiu em sua explicação.
No entanto, para isso, alertou, “a Europa deve fortalecer sua indústria de defesa”, já que “o dinheiro por si só não gera segurança se a produção não conseguir acompanhar o ritmo”. Se o aumento dos gastos com defesa apenas gerar tempos de espera mais longos ou atrasos acumulados, alertou, “isso não funciona”.
No início do mês de maio, o Pentágono confirmou uma “retirada progressiva num prazo de seis a doze meses” de parte de suas forças em um de seus grandes bastiões europeus, no que se trata do último episódio de atritos entre Trump e seus aliados na Aliança Atlântica.
O anúncio veio depois que declarações do chanceler alemão, Friedrich Merz, nas quais ele apontava que o Irã havia “humilhado” os Estados Unidos nas negociações, despertaram a indignação do inquilino da Casa Branca, que ameaçou retirar as tropas americanas do território alemão.
RÚSSIA, AMEAÇA PARA TODA A EUROPA
Em sua intervenção, Kallas também traçou um panorama de ameaça crescente e alertou que a Rússia se reconverteu em uma economia de guerra, destinando cerca de 8% de seu PIB à defesa, com a produção centrada quase exclusivamente em tanques, mísseis e artilharia.
Assim, ela detalhou que vários serviços de inteligência nacionais da UE estimam que Moscou poderia testar a preparação defensiva do bloco dentro de um prazo de três a cinco anos, por isso ressaltou que o objetivo final russo “não é apenas a Ucrânia, mas uma ameaça para toda a Europa”.
A chefe da diplomacia europeia reclamou ainda um aumento do apoio econômico, militar e político à Ucrânia, que definiu como “a primeira linha de defesa europeia”, e destacou que os ucranianos não estão apenas defendendo seu próprio país, mas estão “ganhando tempo para a Europa” reforçar suas próprias defesas.
Kallas insistiu ainda na ideia de aprofundar as alianças com parceiros afins, como o Reino Unido, o Canadá, o Japão, a Austrália ou a Coreia do Sul, bem como reformar os mecanismos de decisão da UE para agir com maior rapidez, uma vez que a exigência de unanimidade, em sua opinião, “frequentemente impede” agir com “a velocidade que o atual contexto geopolítico exige”.
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