Publicado 23/08/2026 01:48

A Justiça peruana renova o mandado de prisão internacional contra Betssy Chávez, que se encontrou em asilo no México

Archivo - Arquivo - 28 de novembro de 2022, LIMA, LIMA, PERU: LIMA, 28 DE NOVEMBRO DE 2022...A PRESIDENTE DO CONSELHO DE MINISTROS, BETSSY CHÁVEZ, APRESENTA-SE PERANTE O HEMICÍCLIO DO CONGRESSO DA REPÚBLICA, JUNTO AOS MINISTROS DE ESTADO, PARA EXPOR OS PA
Europa Press/Contacto/El Comercio - Arquivo

MADRID 23 ago. (EUROPA PRESS) -

A Justiça do Peru renovou o mandado de busca e apreensão, tanto em âmbito nacional quanto internacional, contra a ex-primeira-ministra Betssy Chávez, condenada a mais de onze anos de prisão por sua participação na tentativa fracassada de golpe de Estado liderada pelo ex-presidente Pedro Castillo em dezembro de 2022, apesar de ela se encontrar atualmente no México sob proteção diplomática.

A decisão foi tomada pelo juiz da Suprema Corte, Juan Carlos Checkley, por meio de uma resolução datada de 14 de agosto de 2026, na qual ordena a manutenção da vigência das medidas destinadas a localizar e deter Chávez para cumprir a sentença condenatória proferida pela Câmara Penal Especial desse tribunal.

A sentença, de dezembro de 2025, condenou a ex-primeira-ministra como coautora do crime de conspiração para uma rebelião contra o Estado peruano e estabeleceu uma pena efetiva de onze anos, cinco meses e 15 dias de prisão, da qual deve ser descontado o período em que a ré já permaneceu privada de liberdade.

Nesse contexto, Checkley determinou que as ordens de prisão sejam renovadas periodicamente e que a medida seja comunicada tanto ao Departamento Distrital de Mandados de Lima da Polícia Nacional quanto à Sede Nacional da Interpol, na capital peruana.

A resolução atual lembra, além disso, que, em 19 de maio passado, já havia sido encaminhado à Polícia Judicial um mandado para proceder à localização e prisão de Chávez dentro e fora do país. Este novo pronunciamento visa garantir a continuidade dessa medida e facilitar a execução provisória da pena.

Chávez, no entanto, deixou o Peru após permanecer vários meses na residência da Embaixada do México, em Lima. O governo mexicano concedeu-lhe asilo diplomático e, posteriormente, ele recebeu um salvo-conduto que lhe permitiu sair da sede diplomática e se deslocar para o México em uma aeronave militar.

A DEFESA QUESTIONA A MEDIDA JUDICIAL

O advogado de Chávez, Raúl Noblecilla, rejeitou a decisão do juiz e sustentou que as autoridades peruanas não poderão executar a prisão enquanto sua cliente permanecer sob a proteção do México.

“O senhor pode renovar os ofícios quantas vezes quiser, senhor Checkley, mas o que não pode é repetir a mentira grosseira de que a jurisdição peruana está acima da soberania do México e do Direito Internacional”, afirmou Noblecilla em uma mensagem divulgada nas redes sociais.

Na mesma linha, o advogado afirmou que Chávez está totalmente localizada no México e questionou que uma decisão judicial peruana possa ter efeitos em território mexicano. “Uma decisão peruana não se aplica ao território mexicano nem transforma a INTERPOL em polícia de perseguições políticas”, prosseguiu.

Chegando a esse ponto, Noblecilla insistiu que o asilo concedido pelo México deve ser respeitado pelas autoridades de Lima e apelou às garantias previstas na legislação nacional.

“Betssy Chávez está protegida no México. O artigo 36 da Constituição reconhece o asilo político e obriga nosso país a aceitar a qualificação feita pelo México”, ressaltou o advogado da ex-primeira-ministra, antes de questionar novamente a atuação do magistrado e exigir que a disputa seja abordada sob uma perspectiva jurídica e não política.

MÉXICO E PERU RETOMAM RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS

A saída de Chávez da Embaixada do México ocorreu no contexto de uma aproximação entre o México e o Peru, cujas autoridades decidiram, no início de agosto, retomar as relações diplomáticas após resolverem a crise em torno da ex-primeira-ministra peruana.

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, anunciou a retomada das relações diplomáticas bilaterais depois que as autoridades peruanas autorizaram, por meio de um salvo-conduto, a transferência da ex-primeira-ministra para o México.

“Com isso, as relações com o Peru serão restabelecidas”, declarou Sheinbaum durante uma de suas coletivas de imprensa matinais, na qual destacou os “laços históricos de irmandade, amizade e cooperação” entre os dois países e descreveu a decisão peruana como um gesto de “boa vontade” para com o governo mexicano.

Chávez permanecia, desde o início de novembro de 2025, na residência da Embaixada do México em Lima, instituição que lhe concedeu asilo político após ela ter sido condenada por sua participação no autogolpe de Estado do ex-presidente Castillo, um ato que serviu de gatilho para o rompimento das relações entre o México e o Peru, que já vinha se gestando há vários anos.

O Peru já havia manifestado seu descontentamento com o México após ter criticado as medidas impostas ao ex-presidente Castillo, cuja família conseguiu obter asilo no país norte-americano.

Chávez, que havia solicitado sem sucesso um indulto alegando seu estado de saúde precário, esteve refugiada durante todos esses meses na Embaixada do México em Lima, cuja segurança ficou a cargo do Brasil, depois que o Peru decidiu romper as relações diplomáticas.

A ex-primeira-ministra foi finalmente condenada por seu papel na tentativa de Castillo de dissolver o Congresso e reorganizar as instituições do Estado em dezembro de 2022; além disso, recebeu uma inabilitação de dois anos para exercer determinadas funções e cargos públicos.

A decisão da Suprema Corte também estabelece uma indenização civil conjunta de doze milhões de soles, a ser arcada pelos condenados Pedro Castillo, Betssy Chávez, Aníbal Torres e Willy Huerta.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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