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MADRID, 21 ago. (EUROPA PRESS) -
A Justiça de Hong Kong condenou nesta sexta-feira dois ativistas pró-democracia e ex-organizadores da vigília anual em memória das vítimas do massacre da Praça da Paz Celestial, ocorrido em 1989, por atos que visavam incitar à subversão, cometidos entre os anos de 2020 e 2021.
Os juízes responsáveis pelo caso encontraram indícios de que Lee Cheuk Yan e Chow Hang Tung, acusados juntamente com sua própria organização, foram considerados culpados das acusações que lhes foram imputadas, apesar de terem reiterado sua inocência, segundo informações da emissora de Hong Kong RTHK.
No entanto, os juízes ressaltaram que ambos haviam pedido o fim da “ditadura de partido único” e afirmaram que, com seus atos, buscavam desafiar a legitimidade do Partido Comunista da China. Embora ainda não tenha sido proferida uma sentença, é possível que eles enfrentem penas de até dez anos de prisão, de acordo com a lei de segurança nacional.
Durante anos, a Aliança de Hong Kong em Apoio aos Movimentos Democráticos Patrióticos da China organizou a vigília anual com velas para homenagear as vítimas da sangrenta repressão aos protestos de Tiananmen, ocorrida na capital do país. Essa era a única comemoração pública em todo o território chinês.
A vigília deixou de ser realizada após a entrada em vigor da lei de segurança nacional em 2020, em resposta aos intensos protestos que ocorriam em Hong Kong.
ALEMANHA E FRANÇA LAMENTAM A SENTENÇA
As autoridades da Alemanha e da França lamentaram, em um comunicado conjunto, a sentença proferida contra ambos e destacaram o trabalho de Chow, advogada defensora dos direitos humanos e ativista.
“Ela trabalhou incansavelmente para promover os direitos humanos e a democracia na China, especialmente na Região Administrativa Especial de Hong Kong. A defesa pacífica dos direitos humanos não constitui um crime”, afirmaram, antes de instar pela “liberação imediata” de todos eles e pedir o “respeito a todos os direitos e liberdades civis”.
A ONG Human Rights Watch (HRW) criticou, em um comunicado, a condenação e afirmou que ela demonstra “como as manifestações públicas em memória dessas vítimas se tornaram um crime em Hong Kong”.
Elaine Pearson, diretora para a Ásia da organização, afirmou que “durante décadas, dezenas de milhares de habitantes de Hong Kong defenderam aqueles que perderam a vida manifestando-se pela liberdade na China”. “Agora, os governos de todo o mundo devem defender os habitantes de Hong Kong que estão sendo punidos por exigir que Pequim assuma a responsabilidade pela supressão das liberdades em Hong Kong”, declarou ela.
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