MADRID 30 jun. (EUROPA PRESS) -
A Justiça dos Estados Unidos condenou nesta terça-feira o bilionário chinês Guo Wengui a 30 anos de prisão. Ele passava há uma década em um exílio autoimposto no país, após ser considerado culpado de uma “fraude em grande escala” que teria custado milhões de euros a milhares de pessoas em todo o mundo.
O magnata, considerado na época um dos homens mais ricos da China, fugiu do gigante asiático há uma década após se mostrar crítico em relação ao Partido Comunista da China (PCC) e foi agora condenado por um tribunal de Manhattan, para onde muitos de seus seguidores se deslocaram.
A juíza norte-americana Analisa Torres afirmou, no entanto, que o réu “se aproveitou daqueles que buscavam instaurar a democracia na China e se apropriou do dinheiro deles para levar uma vida repleta de luxos”, segundo informações da emissora norte-americana NPR.
Guo, por sua vez, protestou contra o tratamento recebido na prisão, alegando que foi levado ao hospital na madrugada desta segunda-feira devido a problemas de saúde e negou ter fingido estar doente, como afirmavam os promotores. “Quando cheguei aqui, disse: ‘Estou com dor de estômago, preciso ir ao banheiro, não me sinto bem’”, afirmou Guo perante o tribunal.
Sobre o processo contra ele, defendeu sua maneira de agir e insistiu que se mudou para os Estados Unidos “para destruir o Partido Comunista da China”, embora a juíza tenha lido vários trechos de cartas de algumas das vítimas, que lamentavam ter perdido todas as suas economias.
Torres destacou, além disso, que Guo “não assume nenhuma responsabilidade por seus atos e insiste, de forma inacreditável, que sua conduta não causou prejuízos nem prejudicou ninguém”. Além disso, alertou que ele instou seus seguidores a “perseguir e intimidar aqueles que ousam falar contra ele”, pelo que ordenou o pagamento de 889 milhões de dólares (cerca de 780 milhões de euros) a título de indenização.
Antes de sua prisão, há três anos, Guo tornou-se tão próximo do estrategista político conservador Steve Bannon que anunciaram uma iniciativa conjunta para derrubar o governo chinês em 2020. Na época, ele morava em um luxuoso apartamento com vista para o Central Park e havia se tornado sócio do clube de golfe Mar-a-Lago, do presidente Donald Trump, na Flórida.
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