Publicado 10/10/2025 01:10

A justiça colombiana limita as intervenções televisionadas de Petro por violar o pluralismo de informações

Archivo - Arquivo - 17 de junho de 2025, Facatativa, Cundinamarca, Colômbia: O presidente colombiano Gustavo Petro participa de um evento de lançamento do sistema de trens suburbanos RegioTram, que visa conectar municípios e cidades próximas com o distrit
Europa Press/Contacto/Sebastian Barros - Arquivo

Petro denuncia que "o Conselho de Estado quer realizar seu golpe de Estado: censurar o presidente".

MADRID, 10 out. (EUROPA PRESS) -

O Conselho de Estado da Colômbia se pronunciou na quinta-feira contra o que considerou um "uso inadequado" dos discursos presidenciais na televisão e decidiu restringir os chamados discursos do presidente do país, Gustavo Petro, para evitar uma "violação do direito à informação" dos colombianos.

"A Câmara concluiu que o presidente e a Presidência da República fizeram uso inadequado da prerrogativa de discursos televisionados", decidiu o tribunal superior, de acordo com uma nota publicada em seu site. "Essa conclusão se baseou na falta de justificativa dos temas abordados, bem como na frequência, repetição e duração das intervenções", explicou, afirmando que "tais práticas não estavam em conformidade com a garantia do pluralismo de informações, que é parte essencial do direito fundamental à informação".

Nesse sentido, o Conselho destacou a Comissão de Regulamentação das Comunicações (CRC) por permitir "o uso indevido da figura do discurso presidencial", apesar de ter poderes para impedi-lo. "Isso teve o efeito de monopolizar as fontes de informação disponíveis na televisão usando o espectro eletromagnético - em canais nacionais públicos e privados, bem como em canais regionais, locais e comunitários", afirmou.

Assim, a Câmara enfatizou que os discursos presidenciais devem se basear nos critérios de excepcionalidade e urgência que, de acordo com a jurisprudência constitucional colombiana, "devem reger os discursos presidenciais como garantia do princípio da democracia e do pluralismo de informações". Esses princípios são "justificativa suficiente", "não recorrência" e "limitação temática e temporal", listou o tribunal.

Consequentemente, o tribunal ordenou que o regulador adotasse medidas para regular o uso da intervenção presidencial e emitisse antes de 2026 "uma estrutura regulatória que garanta o pluralismo e a imparcialidade da informação", que "deve incluir os mecanismos apropriados para futuras violações do direito fundamental à informação devido ao uso dessa prerrogativa".

"Nenhum servidor público, eleito ou não pelo voto popular - incluindo o Presidente da República - tem poderes ilimitados que lhe permitam exercer de forma arbitrária, desproporcional ou irracional as funções que lhe são atribuídas pela Constituição e pela lei", afirmou o Conselho.

Nesse sentido, o Conselho de Estado ressaltou que "a decisão não pretende censurar o Presidente da República, uma vez que o CDC não pode questionar o conteúdo de suas mensagens, mas deve estabelecer critérios claros (...) para o exercício de um poder que, como já foi observado, não é ilimitado e deve respeitar os valores democráticos e os direitos fundamentais".

PETRO DENUNCIA CENSURA E GOLPE DE ESTADO

O próprio Petro não viu as coisas dessa forma e, por meio de várias publicações breves na rede social X, reclamou de "censura" por parte do Conselho.

"Censura e simples censura", disse o presidente, que se perguntou retoricamente: "Que medo de eu falar?". "Isso se chama censura ao presidente eleito pelo povo", acrescentou em outra mensagem.

Em sua primeira reação, no entanto, o presidente foi além, denunciando que "o Conselho de Estado quer realizar seu golpe de Estado: censurar o presidente". "Não sei como pensar diferente, eles pensam que porque eu falo, eu ganho", respondeu, sustentando que "podemos ganhar pensando".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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