Publicado 04/10/2025 07:18

Junts pede que o Estatuto de Roma seja alterado para que o "apartheid de gênero" possa ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional

Archivo - Arquivo - Mulheres treinadas como policiais em um quartel da polícia, em frente à bandeira do Talibã, em Cabul, no Afeganistão.
Oliver Weiken/dpa - Arquivo

Denuncia a segregação institucional no Afeganistão e no Irã e pede mecanismos eficazes de proteção internacional

MADRID, 4 out. (EUROPA PRESS) -

O grupo parlamentar Junts registrou no Congresso uma proposta não legislativa (PNL) com a qual solicita ao governo que promova uma reforma do Estatuto de Roma para que o "apartheid de gênero", como o atribuído ao Talibã no Afeganistão, possa ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional.

A iniciativa, assinada pela deputada Marta Madrenas para debate no Comitê de Relações Exteriores, busca adaptar o direito internacional às formas de opressão sistemática contra as mulheres que, de acordo com seus promotores, não são suficientemente cobertas pelo direito penal atual.

A noção de "apartheid de gênero" surgiu da repressão brutal imposta pelo primeiro regime talibã no Afeganistão, quando as defensoras dos direitos humanos afegãs articularam o conceito pela primeira vez. Como lembra a formação pró-independência, com o retorno do Talibã, "sistemas atrozes de segregação, controle e subordinação de mulheres e meninas" estão sendo restabelecidos, como a proibição de receber educação secundária, trabalhar, sair de casa sozinha, mostrar o rosto ou até mesmo falar em voz alta em público.

O texto, relatado pela Europa Press, também alerta para as consequências diretas sobre a saúde e a vida das mulheres nesse país asiático. De fato, chegou-se ao ponto de proibir que os médicos homens tratem as mulheres, o que, combinado com a falta de educação feminina, prevê o desaparecimento de médicas no futuro. Além disso, elas destacam que, nos recentes terremotos de setembro, nenhuma ajuda médica foi dada às mulheres feridas.

A Junts também estende sua denúncia ao Irã, onde destaca que mulheres e meninas vivem sob um sistema que está aumentando à força as medidas e políticas repressivas contra as mulheres e menciona um novo projeto de lei sobre "hijab e castidade" com penalidades mais severas.

Também observa que uma missão de investigação da ONU reconheceu um novo padrão de sentenças de morte para mulheres ativistas no Irã e conclui que, apesar da abundante documentação de perseguição sistemática baseada em gênero, "a lei internacional não reconhece atualmente o crime de apartheid de gênero".

Diante dessa lacuna, o partido catalão argumenta que os instrumentos legais existentes - como o crime de perseguição com base no gênero - não capturam "a natureza sistemática, projetada pelo Estado e institucionalizada do apartheid de gênero", que, de acordo com o texto, constitui "um sistema estrutural de exclusão e dominação com uma clara intenção ideológica".

Por esse motivo, o projeto de lei pede ao governo que promova a inclusão do "apartheid de gênero" no projeto de Convenção das Nações Unidas sobre Crimes contra a Humanidade" e que altere o Estatuto de Roma para que ele possa ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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