Eduardo Parra - Europa Press - Arquivo
Ela admite que não “espera nada” da comparecimento do presidente ao Congresso e lembra que seu partido “rompeu” a relação com o PSOE há meses
MADRID, 29 maio (EUROPA PRESS) -
A porta-voz do Junts no Congresso, Míriam Nogueras, voltou a exigir nesta sexta-feira ao presidente do Governo, Pedro Sánchez, que convoque eleições antecipadas diante da atual situação política e dos supostos casos de corrupção envolvendo o Executivo, além de ter ressaltado que seu partido não está disposto a “apoiar” governos espanhóis.
Em entrevista ao programa “La Hora de La 1” da TVE, divulgada pela Europa Press, Nogueras afirmou que o Junts comparecerá para “ouvir as explicações” que Sánchez oferecerá em sua próxima audiência no Congresso dos Deputados, embora tenha lembrado que, há menos de um ano, o presidente já havia anunciado medidas anticorrupção que, segundo ela criticou, não se concretizaram.
“No ano passado, Pedro Sánchez já compareceu para tratar exatamente disso e tudo o que ele disse que faria depois de um ano não foi feito. Na verdade, a situação está cada vez mais grave”, afirmou.
Nesse sentido, Nogueras insistiu que a saída para a atual situação política passa por devolver a palavra aos cidadãos por meio de eleições gerais antecipadas e lembrou que seu partido já transmitiu esse pedido ao presidente do Governo há mais de um mês.
“Não esperamos nada mais do que o presidente Sánchez convoque eleições”, afirmou, antes de questionar como se pode justificar a continuidade de um governo que, em sua opinião, não conta com maioria parlamentar suficiente para desenvolver sua ação política.
Nesse contexto, ela também acusou o chefe do Executivo de se concentrar em sua agenda internacional enquanto evita enfrentar os problemas internos. “O senhor Sánchez deveria parar de se esconder atrás de sua agenda internacional, porque os problemas estão aqui”, assinalou.
PADRÃO DE CORRUPÇÃO
Por outro lado, a líder independentista sustentou que a situação atual reflete um padrão recorrente na política espanhola. “O governo de Pedro Sánchez assumiu o poder porque o anterior era corrupto e parece que a história da Espanha consiste na sucessão de governos corruptos. Seja o PP, seja o PSOE”, lamentou.
Da mesma forma, defendeu que o Junts não deve assumir a responsabilidade pela estabilidade do Executivo e lembrou que sua formação considerou “rompida” há meses a relação política com o PSOE, apesar do acordo de investidura alcançado no início da legislatura.
Conforme explicou, os socialistas “desaproveitaram a oportunidade” de desenvolver uma nova relação com a Catalunha ao descumprir os compromissos acordados. "Não estamos aqui para apoiar ninguém, para tolerar ninguém. Estamos aqui para fazer política e ajudar os cidadãos da Catalunha", sublinhou.
SEM O "BOTÃO" DA MOÇÃO
Questionada sobre uma possível moção de censura impulsionada pelo líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, Nogueras insistiu que o Junts não tem capacidade para promovê-la e se recusou a assumir a responsabilidade pelo futuro da governabilidade espanhola.
“Nós não temos o botão nem das eleições nem da moção de censura”, indicou.
Além disso, defendeu o papel do Junts no Congresso e reivindicou que, com sete deputados, sua formação conseguiu impulsionar iniciativas que beneficiam a Catalunha. Em contrapartida, acusou os principais partidos estatais de se concentrarem nas “manchetes” e na “propaganda”.
PEDE EXPLICAÇÕES A ILLA
Por fim, a porta-voz do Junts também exigiu explicações do presidente da Generalitat, Salvador Illa, após o surgimento, segundo ela, de indícios relacionados a ações de “guerra suja” contra seu partido durante o processo eleitoral catalão.
“Um dos principais atores de tudo isso que deveria dar explicações é o presidente Illa”, assinalou, garantindo que os cidadãos catalães têm o direito de saber o que aconteceu.
Nogueras afirmou ainda que a situação é “extremamente grave” e criticou o fato de o debate político estar centrado nos escândalos de corrupção, em vez de em questões que afetam diretamente a população, como a habitação, a situação dos trabalhadores autônomos ou o custo de vida.
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