Publicado 18/04/2026 04:41

Junts descarta que o governo tenha a possibilidade de restabelecer as relações: “Essas pessoas não cumprem o que prometem”

Crítica ao governo por “prometer” que pode mudar as coisas sem ter maioria e acusação de se dedicar apenas a “gerenciar o medo”

A porta-voz do Junts no Congresso, Miriam Nogueras, durante uma sessão plenária no Congresso dos Deputados, em 15 de abril de 2026, em Madri (Espanha). Sessão plenária de fiscalização do Governo com perguntas e interpelacões da oposição centradas na corru
Eduardo Parra - Europa Press

MADRID, 18 abr. (EUROPA PRESS) -

A porta-voz parlamentar do Junts no Congresso, Miriam Nogueras, descartou neste sábado que o governo de Pedro Sánchez tenha qualquer chance de restabelecer as relações com seu partido porque, segundo ela, eles tiveram sua oportunidade e não a aproveitaram, mas também porque “essa gente não cumpre o que promete”.

Em entrevista ao programa “Parlamento” da RNE, divulgada pela Europa Press, Nogueras confirmou que o Junts continua sem manter relações com o Executivo e deu a entender que não há como reverter a situação.

Ela explicou que seu partido já deu ao governo a oportunidade de “mudar as coisas de verdade” e ele não aproveitou, e que agora não basta que, por meio de decretos reais, cumpram alguns dos acordos que estavam “congelados”. “As coisas não se fazem assim”, afirmou Nogueras, ressaltando que, de qualquer forma, a lista de pendências é “longa”.

Questionada sobre o que precisa acontecer para mudar essa situação, a independentista catalã respondeu que o Junts não tem por que dizer o que deve ser feito. “Nós chegamos a um acordo com essas pessoas, e elas não cumpriram”, lembrou, observando que a pergunta deveria ser “se o governo está disposto a cumprir, pois, até o momento, não o fez”.

De qualquer forma, “eles tiveram a oportunidade de mudar as coisas e não a terão”, advertiu Nogueras, que aproveitou para criticar o governo por continuar “vendendo” às pessoas a ideia de que pode “mudar as coisas” quando não tem maioria parlamentar para fazê-lo. “A única coisa que este governo está fazendo até hoje é gerenciar o medo para que tudo continue igual”, criticou.

O RETORNO DE PUIGDEMONT NÃO TERÁ INFLUÊNCIA

Ela também quis deixar claro que o retorno do ex-presidente Carles Puigdemont também não ajudará a restabelecer a relação com o governo. “O retorno de Puigdemont só ajudaria a fazer justiça e nada mais”, reforçou a porta-voz do Junts, que considera uma “barbárie” que, em um país da UE como a Espanha, seja aprovada uma lei no Congresso (a de Anistia) e “o sistema judicial não a aplique”.

Questionada sobre se a preocupa o adiamento da decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), Nogueras denunciou que esse atraso venha a prolongar a decisão do Tribunal Constitucional. No entanto, ela lembrou que o ex-presidente já está há oito anos no exterior e que continuará lutando “aconteça o que acontecer”.

Sobre se acredita que os efeitos da guerra no Oriente Médio tornariam necessários um Orçamento Geral, a deputada catalã destacou que o Governo está há “não sei há quantos anos” sem apresentá-lo, para alertar que, caso acabasse por apresentá-lo, o Junts não o apoiaria, “muito menos” quando a Catalunha não recebeu os últimos 20 orçamentos.

“Se alguém pensa que seremos o bobo da corte que vai dar uma manchete aos socialistas e um Orçamento Geral quando não nos pagaram o que nos é devido, está muito enganado”, acrescentou.

TAMBÉM NÃO HÁ RELAÇÕES COM O PP

Nogueras também foi questionado sobre como estão as relações com o PP, ao que respondeu que “não há relação, assim como não há com o PSOE”, além das conversas políticas que ocorrem no âmbito do Congresso e com todos os grupos parlamentares.

Nesse ponto, sobre o fato de que os futuros pactos entre o PP e a Vox em algumas comunidades autônomas afastem o hipotético apoio da Junts a Alberto Núñez Feijóo, Nogueras questionou-se sobre quando é que o apoio do seu partido ao líder dos “populares” esteve próximo.

Além disso, destacou que, se a Espanha não é governada pelo PP e pela Vox, é graças aos sete votos da Junts. “Acho muito engraçado quando tentam nos colocar no mesmo saco que o PP e a Vox”, comentou.

Por fim, sobre se consideraria positiva uma moção de censura contra Sánchez, a líder do Junts respondeu que nenhum partido que queira representá-la a propôs, mas se congratulou por “toda a responsabilidade” recair sobre seus sete assentos. “Nunca tão poucos fizeram tanto pela Catalunha”, acrescentou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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