Eduardo Parra - Europa Press
MADRID, 18 abr. (EUROPA PRESS) -
A porta-voz parlamentar do Junts no Congresso, Miriam Nogueras, descartou neste sábado que o governo de Pedro Sánchez tenha qualquer chance de restabelecer as relações com seu partido porque, segundo ela, eles tiveram sua oportunidade e não a aproveitaram, mas também porque “essa gente não cumpre o que promete”.
Em entrevista ao programa “Parlamento” da RNE, divulgada pela Europa Press, Nogueras confirmou que o Junts continua sem manter relações com o Executivo e deu a entender que não há como reverter a situação.
Ela explicou que seu partido já deu ao governo a oportunidade de “mudar as coisas de verdade” e ele não aproveitou, e que agora não basta que, por meio de decretos reais, cumpram alguns dos acordos que estavam “congelados”. “As coisas não se fazem assim”, afirmou Nogueras, ressaltando que, de qualquer forma, a lista de pendências é “longa”.
Questionada sobre o que precisa acontecer para mudar essa situação, a independentista catalã respondeu que o Junts não tem por que dizer o que deve ser feito. “Nós chegamos a um acordo com essas pessoas, e elas não cumpriram”, lembrou, observando que a pergunta deveria ser “se o governo está disposto a cumprir, pois, até o momento, não o fez”.
De qualquer forma, “eles tiveram a oportunidade de mudar as coisas e não a terão”, advertiu Nogueras, que aproveitou para criticar o governo por continuar “vendendo” às pessoas a ideia de que pode “mudar as coisas” quando não tem maioria parlamentar para fazê-lo. “A única coisa que este governo está fazendo até hoje é gerenciar o medo para que tudo continue igual”, criticou.
O RETORNO DE PUIGDEMONT NÃO TERÁ INFLUÊNCIA
Ela também quis deixar claro que o retorno do ex-presidente Carles Puigdemont também não ajudará a restabelecer a relação com o governo. “O retorno de Puigdemont só ajudaria a fazer justiça e nada mais”, reforçou a porta-voz do Junts, que considera uma “barbárie” que, em um país da UE como a Espanha, seja aprovada uma lei no Congresso (a de Anistia) e “o sistema judicial não a aplique”.
Questionada sobre se a preocupa o adiamento da decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), Nogueras denunciou que esse atraso venha a prolongar a decisão do Tribunal Constitucional. No entanto, ela lembrou que o ex-presidente já está há oito anos no exterior e que continuará lutando “aconteça o que acontecer”.
Sobre se acredita que os efeitos da guerra no Oriente Médio tornariam necessários um Orçamento Geral, a deputada catalã destacou que o Governo está há “não sei há quantos anos” sem apresentá-lo, para alertar que, caso acabasse por apresentá-lo, o Junts não o apoiaria, “muito menos” quando a Catalunha não recebeu os últimos 20 orçamentos.
“Se alguém pensa que seremos o bobo da corte que vai dar uma manchete aos socialistas e um Orçamento Geral quando não nos pagaram o que nos é devido, está muito enganado”, acrescentou.
TAMBÉM NÃO HÁ RELAÇÕES COM O PP
Nogueras também foi questionado sobre como estão as relações com o PP, ao que respondeu que “não há relação, assim como não há com o PSOE”, além das conversas políticas que ocorrem no âmbito do Congresso e com todos os grupos parlamentares.
Nesse ponto, sobre o fato de que os futuros pactos entre o PP e a Vox em algumas comunidades autônomas afastem o hipotético apoio da Junts a Alberto Núñez Feijóo, Nogueras questionou-se sobre quando é que o apoio do seu partido ao líder dos “populares” esteve próximo.
Além disso, destacou que, se a Espanha não é governada pelo PP e pela Vox, é graças aos sete votos da Junts. “Acho muito engraçado quando tentam nos colocar no mesmo saco que o PP e a Vox”, comentou.
Por fim, sobre se consideraria positiva uma moção de censura contra Sánchez, a líder do Junts respondeu que nenhum partido que queira representá-la a propôs, mas se congratulou por “toda a responsabilidade” recair sobre seus sete assentos. “Nunca tão poucos fizeram tanto pela Catalunha”, acrescentou.
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