Publicado 07/07/2026 23:35

O julgamento da eurodeputada do partido “La France Insoumise”, Rima Hassan, por apologia ao terrorismo foi adiado para outubro

Archivo - Arquivo - 8 de outubro de 2025, Paris, Île-de-France (Região, França): a eurodeputada Rima Hassan na manifestação pró-Palestina em apoio às frotas “Global Sumud” e “Mil Madleens” em Paris, em 8 de outubro de 2025.
Europa Press/Contacto/Julien Mattia - Arquivo

MADRID 8 jul. (EUROPA PRESS) -

O julgamento por apologia ao terrorismo contra a eurodeputada francesa Rima Hassan, do partido de esquerda La France Insoumise (LFI), foi adiado para outubro a pedido de seu advogado e devido à apresentação de documentos de última hora por parte de várias partes civis da acusação, em uma audiência cujo silêncio contrastava com a manifestação do lado de fora em apoio à política.

Com uma kufiya na cabeça, Rima Hassan chegou nesta terça-feira a um tribunal de Paris, em frente ao qual se reuniram centenas de pessoas — incluindo o líder do LFI, Jean-Luc Mélenchon, e o prefeito de Saint-Denis, Bally Bagayoko — para demonstrar seu apoio à eurodeputada com bandeiras palestinas e cartazes em sua defesa, conforme noticiado pelo jornal francês “Le Figaro”.

Hassan havia sido intimada a comparecer devido à acusação contra ela por um suposto ato de apologia ao terrorismo decorrente de uma publicação nas redes sociais que o coordenador nacional do partido, Manuel Bompard, classificou como parte do que descreveu como assédio político, midiático, judicial e policial, em referência às 22 denúncias apresentadas contra ela, das quais treze foram arquivadas.

Diante dessa situação, a eurodeputada ressaltou que, “hoje, a causa palestina é um espelho, um teste para a nossa democracia”. “Não passa uma semana sem que a França Insubmissa seja sistematicamente julgada”, afirmou ela antes de, com um buquê de flores nas mãos, afastar-se dos microfones dos jornalistas para comparecer ao seu julgamento.

A mensagem que resultou nessa acusação incluía a frase “Dediquei minha juventude à causa palestina. Enquanto houver opressão, a resistência não será apenas um direito, mas um dever”, citando o japonês Kozo Okamoto, condenado em 1972 por um atentado terrorista no aeroporto de Lod, em Israel, perpetrado por militantes do Exército Vermelho japonês em coordenação com a Frente Popular para a Libertação da Palestina, e no qual morreram 26 pessoas, além de dois dos três agressores.

Hassan, que pode receber uma pena de até sete anos de prisão, uma multa de 100 mil euros e a inelegibilidade para exercer cargos públicos por dez anos, viu, ao lado de seu advogado, como cerca de dez associações se juntaram à acusação como partes civis. É o caso de grupos como a Liga Internacional contra o Racismo e o Antissemitismo (LICRA), o Escritório Nacional de Vigilância contra o Antissemitismo (BNVCA, na sigla em francês) e a Organização Judaica Europeia (OJE).

No entanto, várias dessas partes apresentaram suas respectivas ações judiciais apenas alguns dias antes da audiência, entregando a documentação no último momento, conforme destacou o advogado da eurodeputada, Vincent Brengarth, ao “Le Figaro”.

“Não posso dar nenhuma resposta dentro do prazo estabelecido”, declarou perante o juiz, conseguindo o adiamento para os dias 19 e 20 de outubro, apesar das objeções apresentadas pelos advogados da parte contrária e pelo Ministério Público.

O advogado de Hassan, que apresentou um recurso de inconstitucionalidade e defenderá a imunidade de sua cliente, indicou em declarações ao referido jornal francês que “este é um caso transcendental do ponto de vista da liberdade de expressão”.

Além disso, quanto ao mérito, ele destacou a “ausência de qualquer caracterização dos elementos que constituem o crime de glorificação do terrorismo”, sustentando também que o ataque de Kozo Okamoto, ao qual a eurodeputada se referia em sua publicação, “constitui um crime de guerra, cuja glorificação é tipificada como crime em outra lei”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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