Publicado 01/09/2025 08:28

Juízes e magistrados mexicanos tomam posse três meses após as eleições

Archivo - Arquivo - Imagem de arquivo da Suprema Corte do México.
EL UNIVERSAL / ZUMA PRESS / CONTACTOPHOTO

HRW denuncia nova reforma como "minando" a independência judicial

MADRID, 1 set. (EUROPA PRESS) -

Centenas de ministros, magistrados e juízes mexicanos começarão nesta segunda-feira a tomar posse de seus respectivos cargos em uma cerimônia que será realizada no Senado do México e que levou a Guarda Nacional a colocar em prática um amplo dispositivo de segurança nas proximidades.

Um total de 881 pessoas está programado para fazer seus juramentos de posse em cinco rodadas a partir das 19h30 (horário local) na sala de sessões do Senado, um evento que dá o toque final à reforma constitucional promovida pelo governo e que modificou completamente o mecanismo de eleição de juízes no México.

A reforma também estabelece novos salários para esses cargos, cujo salário não pode ser maior do que o da presidente do país norte-americano, Claudia Sheinbaum, embora muitos já estejam apontando o número sem precedentes de casos abertos no sistema judiciário, de acordo com informações do jornal 'Reforma'.

A Human Rights Watch (HRW) denunciou que esse processo eleitoral, que ocorreu em 1º de junho, "minou a independência judicial". Essa reforma estabelece que as eleições serão realizadas em cada distrito judicial com base em candidatos selecionados a partir de listas definidas por três comitês de avaliação diferentes nomeados pelo presidente, pelo Senado e pela Suprema Corte.

"Longe de ser um esforço para tornar o judiciário mais democrático e eficiente, essa reforma provavelmente só criará um judiciário leal ao governo", lamentou Juanita Goebertus, diretora das Américas da Human Rights Watch. "Estaremos atentos para ver se a Suprema Corte cumprirá sua responsabilidade de defender a constituição e responsabilizar o governo perante a lei", disse ela.

De acordo com a Organização dos Estados Americanos (OEA), o México é o único país do mundo onde "todos os juízes (são) eleitos por sufrágio universal". No entanto, a HRW advertiu que há "falhas e irregularidades" no processo de seleção dos candidatos.

IRREGULARIDADES E CRITÉRIOS "VAGOS

A reforma constitucional estabelece critérios "vagos" para a pré-seleção de candidatos, "como honestidade, reputação e competência", alertou a HRW em um comunicado.

Os comitês de avaliação encarregados de sugerir candidatos "não têm regulamentos que esclareçam como determinam se eles estão ou não aptos a servir, nem garantem que os comitês em questão usem critérios concretos" para sua escolha. Além disso, diz o texto, não lhes foi dado tempo suficiente.

De acordo com o Observatório da Reforma Judicial, uma coalizão de grupos de direitos humanos encarregada de observar o processo eleitoral, isso significa que os comitês do Senado tiveram que analisar uma média de cerca de 40 candidaturas por dia, inclusive nos fins de semana.

Em seguida, as autoridades fazem um sorteio para determinar quais candidatos selecionados pelos comitês estariam aptos a concorrer às eleições. Além disso, apenas 13% dos eleitores aptos a votar foram às urnas, no que os observadores descreveram como "um dos níveis mais baixos de participação na região durante um processo eleitoral", conforme explicou a HRW.

Por sua vez, os observadores da OEA identificaram uma série de "deficiências" nas eleições, incluindo a falta de transparência no financiamento e nos gastos das campanhas.

De acordo com as normas internacionais, os juízes devem ter garantia de mandato e ser protegidos de influências políticas para garantir que possam tomar decisões com base apenas nos fatos do caso e de acordo com a lei. A ONU enfatizou a importância da adoção de "processos de nomeação apolíticos, estritamente vinculados à qualidade e ao mérito profissional" dos candidatos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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