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O governo denuncia uma operação de desestabilização estrangeira antes das eleições.
MADRID, 1 set. (EUROPA PRESS) -
O juiz federal argentino Alejandro Patricio Maraniello ordenou a proibição da transmissão dos áudios gravados na Casa de Governo e nos quais aparece a secretária geral da Presidência argentina, Karina Milei, irmã do presidente Javier Milei, como medida de precaução.
O juiz solicitou "a cessação da divulgação apenas dos áudios gravados na Casa de Gobierno de la Nación (...) atribuídos à Sra. Karina Elizabeth Milei" publicados na última sexta-feira, de acordo com o documento judicial divulgado pelo próprio governo.
A decisão judicial se traduz em uma ordem para enviar uma comunicação urgente à Agência Nacional de Comunicações (ENACOM) para impedir sua publicação através de "qualquer mídia escrita e/ou audiovisual e/ou através de redes sociais de qualquer site, plataforma e/ou canal da web".
Ao mesmo tempo, o governo apresentou outra queixa aos tribunais sobre o vazamento de gravações de áudio da irmã do presidente, que ele considera ter o objetivo de desestabilizar o país.
O Executivo solicita que a divulgação de novas gravações seja proibida "para evitar a propagação de novos vazamentos ilegais (...) exigindo que indivíduos, organizações, meios de comunicação e provedores de serviços digitais cooperem para que tal decisão seja efetiva", de acordo com o documento ao qual o jornal 'La Nación' teve acesso.
"INFLUÊNCIA ESTRANGEIRA".
A intenção, ele denuncia, é "desinformar" e "desestabilizar" o processo eleitoral, "com suposta influência estrangeira". "Essa campanha de desinformação responde a influências estrangeiras, com padrões semelhantes às operações atribuídas a interesses russos e chavistas", afirma.
A trama consistiu na "captura clandestina, manipulação e divulgação escalonada de áudios privados manipulados da secretária-geral da presidência, Karina Milei, e de outros funcionários", reprova.
O objetivo era "influenciar ilegitimamente a opinião pública, alarmar e desinformar a população, desestabilizar os principais indicadores da política econômica e, dessa forma, influenciar o processo eleitoral nas próximas eleições legislativas".
Os supostos autores identificados pelo governo em sua denúncia incluem o jornalista Mauro Federico, o empresário Pablo Toviggino, o apresentador Jorge Rial e o advogado Franco Bindi, descrito como um operador judicial ligado ao ex-diretor da Secretaria de Inteligência do Estado (SIDE) Fernando Pocino.
O porta-voz do governo, Manuel Adorni, explicou que essa denúncia é contra "uma operação ilegal de inteligência" que visa "desestabilizar o país no meio de uma campanha eleitoral". "As conversas privadas de Karina Milei e de outros funcionários foram gravadas, manipuladas e divulgadas para condicionar o poder executivo. Não se tratou de um vazamento. Foi um ataque ilegal, planejado e direcionado", disse Adorni em sua conta no X.
Na gravação divulgada na sexta-feira pelo Carnaval Stream, Karina Milei pede unidade em vista das eleições internas do partido governista, La Libertad Avanza. Esse é o mesmo meio de comunicação que publicou as gravações vazadas que revelaram suborno na Agência Nacional de Deficiência e forçaram a demissão de seu diretor executivo, Diego Spagnuolo.
O conteúdo desses áudios, categoricamente negado pela Casa Rosada, sugere que os subornos eram para Karina Milei e seu braço direito, Eduardo Lule Menem.
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