Gustavo Valiente - Europa Press - Arquivo
MADRID 17 jul. (EUROPA PRESS) -
O juiz da Audiencia Nacional, Santiago Pedraz, interroga nesta sexta-feira, na qualidade de investigada, a diretora-geral da Guarda Civil, Mercedes González, no âmbito do “caso Leire Díez”, que investiga a suposta trama que teria sido liderada pelo ex-secretário de Organização do PSOE, Santos Cerdán, e coordenada pela ex-militante socialista Leire Díez, com o objetivo de sabotar processos judiciais que afetassem o Partido Socialista ou o governo.
González estava convocada para esta quinta-feira, mas o juiz adiou seu interrogatório devido à extensão do depoimento do diretor adjunto operacional (DAO) do Corpo, Manuel Llamas.
A diretora da Guarda Civil foi indiciada depois que a Unidade Central Operativa (UCO) da Guarda Civil indicou, em um de seus relatórios, que ela manteve três reuniões com a ex-militante socialista.
Mais especificamente, a UCO indicou que há registros de vários encontros presenciais entre ambas, ocorridos nos dias 30 de setembro de 2024, 20 de dezembro de 2024 e 2 de abril de 2025.
“MEDIDAS ADMINISTRATIVAS CONTRA A UCO”
“Valendo-se da relação que mantinha com a diretora-geral da Guarda Civil e, por meio dela, em determinado momento e no âmbito das ações que vinha desenvolvendo, Leire Díez estabeleceu como um de seus objetivos a realização de ‘investigações internas’ no seio da Guarda Civil dirigidas contra a Unidade Central Operativa”, destacou.
Segundo os investigadores, “constatou-se que Leire Díez deu início a uma série de ações nas quais, por meio de entrevistas pessoais com a diretora-geral da Guarda Civil, teria conseguido induzir esta última a iniciar ações administrativas contra a UCO”.
Após a divulgação do relatório, González afirmou em maio passado no Senado que “nunca, jamais” interferiu em nenhuma investigação da UCO, nem pressionou nenhum agente, nem participou de nenhuma conspiração para anular processos judiciais.
A diretora-geral da Guarda Civil admitiu vários encontros com a ex-militante e reconheceu ter trocado “algumas mensagens pelo WhatsApp” durante seu mandato como delegada do Governo em Madri, quando Díez era diretora de Relações Institucionais dos Correios.
González destacou que se reuniu com Díez em setembro de 2024, embora tenha indicado que a ex-militante “em nenhum momento falou de nada relacionado a investigações em andamento da Guarda Civil”.
Em um último encontro no mês de maio, Díez propôs “reintegrar ao seu posto” o comandante Rubén Villalba, investigado no ‘caso Koldo’, algo que a diretora-geral disse ter “rejeitado categoricamente”, segundo afirmou.
CRIMES DE PREVARICAÇÃO E OBSTRUÇÃO À JUSTIÇA
O juiz atribui a ela e a Llamas a suposta autoria de crimes de prevaricação e obstrução à justiça, após solicitação tanto do Ministério Público Anticorrupção quanto das acusações populares lideradas pelo PP.
Llamas negou, durante seu depoimento nesta quinta-feira, ter pressionado a UCO para que se mantivesse neutra em investigações judiciais como a que envolveu David Sánchez, irmão do chefe do Executivo, Pedro Sánchez.
Além disso, ele respondeu a perguntas sobre se o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, se interessou pela inclusão do endereço de e-mail de Begoña Gómez, esposa de Pedro Sánchez, no processo de David Sánchez, e pela decisão posterior de abrir um inquérito confidencial.
O DAO reconheceu o interesse de Marlaska por essa questão e justificou a abertura de um inquérito confidencial para tentar esclarecer por que o e-mail de Begoña Gómez foi divulgado pela imprensa, apesar de se tratar de uma questão alheia ao processo do irmão do presidente do Governo, que estava sendo instruído por um tribunal de Badajoz.
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