Europa Press/Contacto/Roberto Almeida Aveledo
MADRID 13 mar. (EUROPA PRESS) -
Um juiz argentino ordenou a libertação imediata das pessoas detidas durante os protestos de quarta-feira em torno do Congresso para a melhoria das pensões, uma decisão que até agora afeta mais de cem pessoas.
A juíza criminal Karina Andrade tomou essa decisão porque "um direito constitucional fundamental está em jogo, como o direito de protesto e a liberdade de expressão", de acordo com uma declaração escrita relatada pelo jornal 'Página 12'.
"Sem prejuízo de não emitir opinião sobre a aplicação da lei no mérito, ou sobre a investigação que a Procuradoria Geral da República pode continuar, a complexidade dos direitos em jogo para informar e determinar a existência de conduta criminosa impede a aplicação do procedimento de flagrância", explicou a magistrada.
Em sua decisão, Andrade também argumentou que os aposentados, que saíram às ruas para exigir uma melhoria nas pensões, fazem parte dos "setores mais vulneráveis de nossa nação" e que são "convencionalmente protegidos".
A opinião contrasta com as declarações da ministra da Segurança Nacional, Patricia Bullrich, assegurando que "os mais de 100 detidos enfrentam penas de até 20 anos de prisão" graças à "nova lei antimáfia". "O tempo da extorsão, da extorsão e do negócio do medo acabou. Vamos desmantelar essas estruturas criminosas. Na Argentina, quem manda é a lei, não as barras, nem a esquerda", disse ele em seu perfil na rede social X.
A polícia argentina prendeu mais de 120 manifestantes na quarta-feira, como parte dos violentos protestos em torno do Congresso, convocados por aposentados e com a participação de sindicatos, grupos de esquerda e torcedores de futebol.
O Ministério da Segurança Nacional também calculou o número de policiais feridos em 26, um deles por arma de fogo, e 20 manifestantes hospitalizados, incluindo o fotojornalista independente Pablo Grillo, que está em estado grave após ser atingido na cabeça por uma das granadas de gás lacrimogêneo disparadas pelas forças de segurança contra os manifestantes.
As forças de segurança argentinas dispararam balas de borracha, spray de pimenta e gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que, por sua vez, jogaram pedras e paralelepípedos na polícia de choque. Os protestos se transformaram em cenas violentas, com a queima de contêineres e barricadas nas ruas da capital, de acordo com o jornal 'Clarín'.
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