Publicado 09/05/2026 09:57

Jucil considera “uma aberração” o fato de a Guarda Civil não ser considerada uma profissão de risco e lamenta a ausência de Marlaska

Imagens da capela mortuária dos dois guardas civis falecidos no cumprimento do dever na última quarta-feira, 8 de maio, enquanto perseguiam uma lancha de contrabando na costa de Huelva. Em 9 de maio de 2026, em Huelva. Agentes da Guarda Civil prestando as
María José López - Europa Press

HUELVA 9 maio (EUROPA PRESS) -

O secretário-geral da Associação Profissional Justiça da Guarda Civil (Jucil), Ángel Lezcano, lamentou neste sábado que “é uma verdadeira aberração” que a Guarda Civil continue sem ser considerada, “até hoje, uma profissão de risco”, algo que, afirmou, o Governo da Espanha “teria que rever”.

Foi o que Lezcano declarou aos jornalistas na entrada da capela mortuária — localizada no Quartel-General de Huelva — dos dois guardas civis falecidos nesta sexta-feira após uma colisão entre duas embarcações do Serviço Marítimo da Guarda Civil enquanto perseguiam uma lancha de contrabando na costa de Huelva.

Lá, ele criticou essa situação, ao mesmo tempo em que destacou que sua associação estava representada neste sábado em Huelva para “apoiar as famílias, as viúvas” e dar-lhes todo o seu “apoio”, que “é o que elas precisam neste momento”, pois “é um dia muito triste para a família da Guarda Civil” após a morte, nesta sexta-feira, de “dois colegas no cumprimento do dever”.

Por sua vez, o porta-voz da Jucil em Cádiz, Agustín Domínguez, destacou que “não pode ser que, enquanto o governo continua dizendo o quanto está indo bem no combate ao narcotráfico, continuem morrendo guardas civis”. “Não se pode permitir que a Guarda Civil continue perdendo homens com essa valia enquanto o governo não faz nada a respeito”, ressaltou.

“Já não é uma questão política, é uma questão de que, se tanto querem cuidar do público, que comecem pelas Forças e Corpos de Segurança, que também somos públicos, também somos os garantes da liberdade que temos na Espanha. E se nos restringem dessa forma por falta de recursos e nos matam como estão nos matando, pouco podemos fazer", afirmou.

Por fim, com relação aos dois agentes que ficaram feridos, ele indicou que estão "estáveis" mas “devastados” com a “tragédia”, já que, além disso, indicou que um dos agentes falecidos “perdeu um filho recentemente”, pelo que sua viúva, também agente da Guarda Civil, perdeu “seu pai, seu filho e seu marido em um curto período de tempo”. “Imaginem como ela deve estar, ainda mais por ter perdido o marido dessa maneira”, concluiu.

Da mesma forma, a associação lamentou “profundamente” a “ausência” do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, “num momento em que a presença institucional era uma obrigação moral para com aqueles que dão a vida pela segurança de todos os espanhóis”. “Essa ausência demonstra mais uma vez a atitude de abandono e desconexão do Governo em relação às Forças e Órgãos de Segurança do Estado, especialmente em relação àqueles que combatem diariamente o tráfico de drogas nas costas da Andaluzia”, assinalou.

Além disso, criticou que “esses fatos não são isolados”, mas “a consequência direta de anos de falta de meios, ausência de vontade política e uma estratégia insuficiente contra o tráfico de drogas”. “A situação exige reforços reais, mais recursos materiais, reconhecimento profissional e uma proteção jurídica e operacional eficaz para aqueles que estão na linha de frente”.

“A própria Promotoria da Andaluzia já alertou para o grave aumento da atividade do tráfico de drogas e para o perigo associado ao uso de lanchas de contrabando no litoral andaluz, chegando até a apontar que essas organizações atuam com crescente violência e capacidade logística”, destaca Jucil

OS FATOS

Dois agentes da Guarda Civil morreram nesta sexta-feira após uma colisão entre duas embarcações do Serviço Marítimo do Instituto Armado enquanto perseguiam uma lancha de contrabando na costa de Huelva. Os fatos ocorreram durante uma operação contra organizações dedicadas ao tráfico de drogas, por volta das 11 horas, a 80 milhas náuticas da costa de Huelva, quando duas embarcações do Serviço Marítimo Provincial do Comando de Huelva iniciaram uma perseguição a uma lancha de contrabando em alto mar.

Durante essa perseguição, por causas ainda desconhecidas, as duas embarcações da Guarda Civil colidiram, causando um forte impacto entre elas, o que resultou na morte de dois agentes, um deles no momento do acidente e outro quando era transportado para o hospital. Além disso, outros dois agentes ficaram feridos e estão sendo atendidos no hospital com ferimentos de gravidade variada.

Nas operações de resgate e salvamento participaram, além do Serviço Marítimo Provincial de Huelva, a Marinha, o Salvamento Marítimo e o Serviço de Vigilância Aduaneira. A Guarda Civil informou que as investigações continuam para esclarecer o ocorrido, além de destacar que se trata de dois guardas civis com “ampla experiência” no Serviço Marítimo.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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