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Tem duas investigações em aberto por tráfico de influências e uma sessão plenária pendente no Congresso para debater uma moção de censura contra ele MADRID 16 fev. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Peru, José Jerí, reconheceu neste domingo ter pago do seu bolso a uma amiga, Ana Diburcio Yuffra, para que ela o ajudasse como deputado no Congresso, sem nunca ter formalizado um contrato de trabalho e sem constar na folha de pagamento, como também admitiu a mulher. “Ela me ajudava nas minhas tarefas quando eu tinha muito trabalho. Não há nada de irregular em alguém ajudar a descongestionar o trabalho, isso não tem nada de irregular, nada de ilícito, quando ela própria afirma que o dinheiro com que foi paga foi do meu próprio bolso. Ela descreve minha personalidade e meu tipo de tratamento, que tem sido respeitoso”, afirmou em declarações recolhidas pela emissora RPP. Dessa forma, o presidente defendeu que “nunca houve a intenção de esconder algo desse tipo”: “Pedi ajuda (à minha amiga) porque estávamos com excesso de trabalho e não há nada de ilegal em uma pessoa contratar, pedir ajuda concretamente. Isso não é irregular nem ilegal. Ela me ajudava”, afirmou. Diburcio, por sua vez, apontou da mesma forma que nunca teve “um contrato direto”. “Nunca tive um contrato direto. Nunca trabalhei para o Estado, nunca fiz parte do quadro de funcionários. Então, era um trabalho pessoal, ou seja, era direto com ele, com sua equipe, em seu escritório”, explicou.
Na mesma linha, ela especificou que o que fazia na época era “agendar compromissos, agendar reuniões com ministros, com pessoas importantes que visitavam frequentemente o escritório” do agora presidente. As relações de Jerí com pessoas próximas têm sido alvo de repetidas suspeitas na política peruana nos últimos meses. Na quarta-feira passada, sua braço direito no Conselho de Ministros, Stephany Vega, renunciou, apresentando como principais motivos “a intensa exposição pública e os constantes questionamentos da mídia”. Além disso, o líder peruano tem duas investigações em andamento por tráfico de influência: seus encontros clandestinos com empresários chineses e também pela contratação de cinco supostas pessoas próximas, entre as quais não estão nem Vega nem Diburcio.
Nesse contexto, o presidente terá que enfrentar nesta terça-feira uma sessão plenária extraordinária no Congresso para iniciar o debate de uma moção de censura contra ele, apenas dois meses antes das eleições legislativas e presidenciais de 12 de abril. A sessão foi convocada por um amplo grupo de formações políticas que conseguiu reunir as assinaturas necessárias para solicitar a sessão plenária extraordinária. No entanto, nem todos os partidos estariam contra ele: a líder da Fuerza Popular, Keiko Fujimori, anunciou neste domingo que sua bancada no Congresso não apoiará nenhuma moção de censura contra Jerí, acusando seus promotores de quererem desestabilizar o país.
“Independentemente da decisão que vocês já tomaram e de quem designarem, não seremos cúmplices daqueles que buscam desestabilizar o país por motivos políticos”, enfatizou, querendo “deixar claro” que, embora em seu partido “questionemos as atitudes do presidente”, não serão “cúmplices daqueles que buscam desestabilizar o país por motivos políticos”.
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