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MADRID 11 mar. (EUROPA PRESS) - José Antonio Kast tomou posse nesta quarta-feira como novo presidente do Chile para os próximos quatro anos, em uma cerimônia no Congresso, à qual compareceu após ter se desligado horas antes do Partido Republicano, como havia prometido, o que representa o retorno da extrema direita pinochetista à La Moneda.
“Sim, juro”, disse Kast diante de mais de mil convidados, entre eles o ex-presidente Gabriel Boric, que colocou a Medalha O'Higgins na faixa presidencial que havia sido previamente preparada pela nova presidente do Senado, Paulina Núñez, e vários chefes de Estado da região, como os presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Equador, Daniel Noboa, além do rei Felipe VI.
Pouco antes, o novo presidente do Chile posou ao lado de seu gabinete no Palácio de Cerro Castillo, em Viña del Mar, de onde reagiu ao ataque sofrido nesta quarta-feira por um policial em Puerto Varas, que o deixou em morte cerebral. “A partir de hoje, as coisas vão mudar. Quem ataca os carabineiros, ataca a todos nós. Prometo que vamos persegui-los, encontrá-los, julgá-los e prendê-los”, disse Kast, que enfrenta uma crise de segurança e econômica que espera resolver com um “governo de emergência”, como chamou durante a campanha.
Kast tem outros desafios, como a reconstrução da região centro-sul do país, devastada por incêndios florestais, além de lidar com as decisões herdadas do governo anterior, como o acordo com a China para se conectar por meio de um cabo submarino de fibra óptica, que causou mal-estar nos Estados Unidos. “É UMA HONRA TER TRABALHADO PARA VOCÊS”
Em uma de suas últimas palavras como presidente do Chile, Boric recebeu as últimas honras em La Moneda por parte de um grupo de guardas da Carabineros, a quem agradeceu por “cuidar da casa de todos os chilenos”. “Como diz o ditado, obrigado por tanto e desculpem pelo pouco. Mas demos o nosso melhor”, disse Boric, agradecendo o “carinho”, assim como as “críticas”, que “também ajudaram”.
“Estou feliz, estou orgulhoso, desejo sucesso ao futuro governo, sucesso para o Chile e que nossa pátria esteja sempre em primeiro lugar, acima de qualquer interesse, acima de qualquer diferença”, expressou, ao mesmo tempo em que também teve palavras de reconhecimento para a imprensa. “É fundamental para uma democracia”, disse. O RETORNO DA EXTREMA DIREITA À MONEDA
A chegada de Kast ao poder, após três tentativas eleitorais, representa também a irrupção do pinochetismo na La Moneda pela primeira vez na democracia, após vencer a segunda volta das eleições presidenciais de dezembro à candidata progressista Jeannette Jara, com 58% dos votos.
Aprendendo com as eleições anteriores, nas quais algumas forças conservadoras chegaram a condicionar seu apoio em troca de compromissos democráticos, desta vez Kast tentou se projetar como uma figura mais moderada, embora sua trajetória fale por si. Em uma campanha completamente estéril em termos políticos, tanto Kast quanto Jara apelaram para os medos do eleitorado. No caso do novo presidente chileno, fazendo as mesmas promessas que em seu dia fez àquele que reconheceu como referência, o ditador Augusto Pinochet: ordem, mão dura e valores tradicionais.
O novo presidente do Chile é filho de Michael Kast, um nazista filiado ao partido, que, como muitos outros como ele, acabou fugindo para a América Latina, refugiando-se nas ditaduras fascistas que então oprimiam a região.
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