Europa Press/Contacto/Carlos Garcia Granthon
MADRID 3 maio (EUROPA PRESS) -
O Jurado Nacional de Eleições (JNE) do Peru decidiu realizar uma “auditoria informática integral e exaustiva” sobre o processo do primeiro turno das eleições gerais realizadas no último dia 12 de abril, em um contexto marcado pela ausência de resultados definitivos e pelas crescentes dúvidas sobre a recontagem.
Conforme informado pelo órgão em um comunicado, essa iniciativa constitui uma medida “concreta e decisiva para reforçar a transparência, a integridade e a confiabilidade dos resultados eleitorais”, ao mesmo tempo em que busca elevar os padrões de controle e verificação dos sistemas utilizados durante o processo.
“Esta medida responde à necessidade de elevar os padrões de controle, verificação e rastreabilidade dos sistemas informáticos, garantindo que cada etapa do processamento eleitoral seja tecnicamente validada sob critérios independentes, rigorosos e verificáveis”, assinalou o JNE, que prevê contar com o acompanhamento de um comitê acadêmico de especialistas nacionais e internacionais.
Esse grupo, composto por profissionais externos sem vínculos com a instituição, terá como função emitir avaliações técnicas e recomendações especializadas, com o objetivo de garantir uma revisão imparcial e alinhada aos padrões internacionais. Além disso, o órgão eleitoral indicou que reforçará sua composição com especialistas em tecnologia, segurança cibernética e auditoria de sistemas.
Este comunicado foi divulgado em um momento de incerteza, com 97,5% das cédulas apuradas e sem um candidato claro para disputar o segundo turno contra a candidata conservadora Keiko Fujimori.
O congressista de esquerda Roberto Sánchez e o candidato ultraconservador Rafael López Aliaga travam uma disputa acirrada pelo segundo lugar, separados por cerca de 28.000 votos, enquanto continua a revisão das cédulas contestadas.
O JNE esclareceu que a auditoria não interferirá na análise em andamento das cédulas contestadas, em um processo que gerou confusão e protestos em diferentes pontos do país, onde vários candidatos denunciaram irregularidades.
Nesse contexto, o então chefe do órgão eleitoral, Piero Corvetto, apresentou sua renúncia no último dia 21 de abril após admitir atrasos logísticos, embora tenha negado a existência de fraude. Por sua vez, observadores da União Europeia haviam indicado anteriormente que não encontraram evidências que corroborassem tais acusações.
As autoridades eleitorais prevêem que os resultados finais possam ser divulgados até 15 de maio, enquanto o comitê de especialistas continuará prestando assistência técnica tanto no segundo turno presidencial de junho quanto nas eleições regionais e municipais previstas para outubro, com o objetivo de garantir “processos íntegros, auditáveis e confiáveis”.
Com 97,4% das cédulas apuradas, o Peru entra na reta final da contagem de votos de uma eleição que visa conter uma grave crise política e institucional sem paralelo em toda a região, que levou o país a ter oito presidentes, incluindo o atual, em dez anos, enquanto enfrenta uma profunda emergência de segurança.
Nesse cenário, a ultraconservadora Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, é a vencedora virtual do primeiro turno, com 17,1% dos votos. No dia 7 de junho, será disputado um segundo turno eleitoral, no qual se destaca como candidato o aspirante de esquerda Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú, que está a apenas 28.000 votos do terceiro colocado, o também conservador Rafael López Aliaga, do Renovación Popular.
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