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MADRID 22 mar. (EUROPA PRESS) -
O governo do Japão rejeitou neste domingo a possibilidade de manter contatos bilaterais exclusivos com o Irã para garantir a passagem de seus navios pelo estratégico estreito de Ormuz, apesar das informações publicadas na véspera que revelavam a disposição de Teerã em facilitar a Tóquio a navegação por essa passagem.
O ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, garantiu que essa opção não consta da agenda do Executivo japonês: “Não é algo que estejamos considerando neste momento”, afirmou durante uma entrevista à Fuji Television divulgada pela agência de notícias Bloomberg.
Em vez disso, ressaltou, Tóquio trabalha para garantir “condições nas quais todos possam passar”, destacando a importância de preservar a liberdade de navegação.
Nesse contexto, Motegi indicou que cerca de 45 navios ligados ao Japão continuam sendo afetados nessa rota marítima, fundamental para o abastecimento energético global, e ressaltou que o governo japonês assumirá sua responsabilidade em matéria de proteção, ao mesmo tempo em que reiterou sua recusa em aumentar as compras da Rússia, país sujeito a sanções internacionais. O abastecimento através de Ormuz resulta — em sua opinião — mais aceitável para os parceiros europeus.
DESMINAGEM DO ESTREITO
Nesse contexto, no entanto, o Executivo japonês não descartou totalmente a ideia de mobilizar suas Forças Armadas para a desminagem do estreito, caso seja alcançado um cessar-fogo na guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
“Se houvesse um cessar-fogo total, hipoteticamente falando, então poderiam surgir questões como a remoção de minas. Isso é puramente hipotético, mas se fosse estabelecido um cessar-fogo e as minas navais criassem um obstáculo, acredito que seria algo a se levar em conta”, afirmou em outra parte da mesma entrevista transcrita pela agência de notícias japonesa Kyodo.
A esse respeito, Motegi elogiou a tecnologia japonesa de remoção de minas, garantindo que “está no mais alto nível do mundo”.
Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores do Japão confirmou a libertação de um dos dois cidadãos japoneses detidos no Irã e anunciou seu retorno iminente ao país, após permanecer detido desde o ano passado.
Por outro lado, outro cidadão japonês que foi preso no início deste ano continua sob custódia, embora Motegi tenha afirmado que está “trabalhando para conseguir sua rápida libertação”, mantendo contato constante com sua família e “outras partes interessadas”.
Essas declarações foram feitas depois que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, demonstrou neste sábado a disposição de Teerã em permitir a passagem de navios japoneses pelo Estreito de Ormuz em uma entrevista por telefone à Kyodo. No entanto, Motegi esclareceu que a possibilidade de um tratamento preferencial não foi objeto de debate em conversas recentes entre ambas as partes.
O Estreito de Ormuz concentra um quarto do tráfego marítimo mundial de petróleo, o que torna a segurança de sua passagem uma questão prioritária para os países dependentes da importação de energia. O Japão adquire praticamente a totalidade de seu petróleo no exterior e mais de 90% provém do Oriente Médio.
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