Publicado 22/09/2026 22:07

O Japão defende uma reforma urgente da ONU e um Conselho de Segurança adequado ao mundo atual

22 de setembro de 2026, Nova York, EUA: A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, profere seu primeiro discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas durante o Debate Geral da 81ª sessão, na sede da ONU, em Nova York.
Marek Ladzinski / Zuma Press / Europa Press

Takaichi defende o multilateralismo e destaca a ameaça nuclear e as novas tensões internacionais

MADRID, 23 set. (EUROPA PRESS) -

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, reivindicou nesta terça-feira perante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, uma profunda renovação do sistema multilateral vigente e, em particular, uma reforma “urgente” do Conselho de Segurança da organização, ao considerar que sua estrutura atual continua refletindo o equilíbrio internacional de 1945 e não responde adequadamente às circunstâncias do presente.

Em sua opinião, não só é necessário ampliar o número de membros — tanto permanentes quanto não permanentes — desse órgão para reforçar sua legitimidade e representatividade, como também apresentou a transformação do Conselho de Segurança como um passo preliminar para uma revisão mais ampla do funcionamento das Nações Unidas.

“A reforma das Nações Unidas é essencial”, destacou Takaichi, ao mesmo tempo em que defendeu que os Estados-membros devem assumir conjuntamente a responsabilidade de revitalizar uma organização submetida, segundo suas palavras, a uma crescente “fadiga institucional”.

Na mesma linha, a líder japonesa reivindicou uma revisão da Carta das Nações Unidas, que — como ela lembrou — já completou 81 anos. Entre suas reivindicações, ela incluiu a eliminação do texto das referências aos chamados “Estados inimigos”, em consonância com uma resolução adotada pela Assembleia Geral em 2005.

UCRÂNIA E O IMPASSE NO CONSELHO DE SEGURANÇA

A guerra na Ucrânia também ocupou um lugar de destaque na abordagem do Japão sobre a necessidade de reformar o sistema internacional. A esse respeito, a líder japonesa destacou que qualquer tentativa de alterar o status quo por meio da força ou da coerção é contrária aos princípios da Carta e “não deve ser tolerada em nenhum lugar do mundo”.

“A agressão da Rússia contra a Ucrânia é o exemplo mais óbvio”, declarou ela, antes de lembrar que a Rússia, como membro permanente do Conselho de Segurança, possui direito de veto e tem utilizado essa prerrogativa em assuntos relacionados às suas próprias ações.

“Nesta situação atual, é preciso dizer que o Conselho de Segurança não está funcionando em prol da paz internacional”, acrescentou ela, colocando essa questão entre os argumentos para transformar a composição e o funcionamento do órgão.

HORMUZ, COMÉRCIO E CADEIAS DE ABASTECIMENTO

A situação no Oriente Médio foi outro dos pontos centrais de seu discurso. Takaichi expressou sua preocupação com a deterioração da segurança da navegação e com as consequências econômicas das tensões na região, especialmente no Estreito de Ormuz.

A líder defendeu a necessidade de preservar uma navegação “livre e segura” e alertou que as interrupções no fornecimento de combustíveis, produtos químicos, material médico e fertilizantes estão afetando populações e empresas, aumentando o risco de novas crises alimentares, especialmente na África e na Ásia.

Nesse contexto, o Japão — indicou ela — continuará trabalhando diplomaticamente com outros países para contribuir para uma distensão da situação no Oriente Médio, enfatizando mais uma vez a importância de preservar a ordem marítima internacional.

As tensões geopolíticas, acrescentou ele, estão afetando o comércio mundial e as cadeias de abastecimento. Diante das “restrições arbitrárias” às exportações, Tóquio propõe aumentar a resiliência econômica por meio de fontes alternativas de abastecimento e de uma maior capacidade dos países de responder a possíveis interrupções.

Dentro dessa estratégia, o Japão aposta no fortalecimento da cooperação internacional em matéria de energia e minerais críticos, bem como no trabalho conjunto com os países produtores para aumentar suas capacidades de extração, refino e processamento.

DEFESA DO LIVRE COMÉRCIO

Em seu discurso, Takaichi também relacionou a segurança econômica à defesa dos mercados, lembrando, para isso, o papel que as rotas marítimas internacionais têm desempenhado há décadas no crescimento da Ásia e defendendo a continuidade de um sistema comercial aberto.

A líder lamentou que as atuais tensões geopolíticas estejam criando obstáculos ao livre comércio e afetando as cadeias de abastecimento, bem como o abastecimento energético internacional. Por isso, ela propôs uma estratégia que não se limite a criar fornecedores alternativos, mas que permita aos países desenvolver uma maior capacidade de resiliência diante de crises futuras.

Essa visão faz parte do conceito japonês de um Indo-Pacífico livre e aberto, apresentado como um marco para reforçar a autonomia, a resiliência e a cooperação econômica e de segurança entre os países.

A AMEAÇA NUCLEAR E A COREIA DO NORTE

O desarmamento nuclear ocupou outra parte do discurso de Sanae Takaichi perante a Assembleia Geral. Em relação a esse tema, a líder japonesa invocou sua experiência histórica como “o único país que sofreu bombardeios atômicos durante a (Segunda) Guerra (Mundial)” e reafirmou seu compromisso com a não proliferação.

“As consequências catastróficas das armas nucleares não devem se repetir”, afirmou ela, ao mesmo tempo em que defendeu a preservação e o fortalecimento do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), além de avançar em medidas práticas, como maior transparência sobre os arsenais nucleares e uma compreensão mais profunda das consequências dos bombardeios atômicos.

Como exemplo dos riscos associados às armas nucleares, Takaichi citou a situação na Ucrânia e na Coreia do Norte, expressando sua preocupação com a cooperação militar entre a Rússia e a Coreia do Norte e com a possível transferência de capacidades relacionadas a tecnologias nucleares e de mísseis.

Em relação a Pyongyang, a líder classificou como grave ameaça à paz internacional seus programas nucleares e de mísseis e suas atividades cibernéticas, incluindo o roubo de criptomoedas como mecanismo de financiamento. Nesse contexto, o Japão exigiu a aplicação integral das resoluções do Conselho de Segurança e a desnuclearização da Coreia do Norte.

MULTILATERALISMO DIANTE DE DESAFIOS COMUNS

Apesar das críticas inicialmente formuladas, a primeira-ministra japonesa defendeu as Nações Unidas como o principal instrumento para enfrentar os problemas que transcendem as fronteiras nacionais, entre eles a segurança marítima, as mudanças climáticas, os desastres naturais ou os riscos decorrentes da inteligência artificial.

Nesse contexto, sua mensagem final centrou-se na necessidade de recuperar a capacidade da organização de responder às crises internacionais e defendeu que os grandes desafios atuais não podem ser enfrentados de forma eficaz por um único país, reivindicando, assim, uma maior cooperação multilateral.

“Agora, mais do que nunca, a bandeira das Nações Unidas deve ser mantida”, afirmou ele, apelando aos Estados-membros para que promovam novas regras e mecanismos de cooperação, argumentando que a ONU continua sendo a única organização com capacidade para lidar com determinados problemas em escala verdadeiramente global.

Sua proposta, resumiu ele, passa por uma organização “mais resiliente e eficaz”, acompanhada de uma reforma do Conselho de Segurança que reflita as realidades internacionais atuais. O Japão, assegurou ele, continuará participando ativamente desse processo e mantendo sua política de contribuição para a paz e a prosperidade internacional.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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