Publicado 15/11/2025 05:22

O Japão abre as portas para uma reforma constitucional polêmica que questiona sua era pacifista

Takaichi segue os passos de seus antecessores conservadores e defende a alteração do artigo 9 da Carta Magna.

Primeiro-ministro do Japão, Sanae Takaichi.
Europa Press/Contacto/Kento Nara

MADRID, 15 nov. (EUROPA PRESS) -

O primeiro-ministro do Japão, Sanae Takaichi, reabriu as portas para uma polêmica reforma constitucional que poria fim à era pacifista do país, iniciada imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, quando Tóquio renunciou "para sempre" à guerra como um "direito soberano" e que limita significativamente os movimentos de suas tropas.

Ao iniciar as negociações com seu principal parceiro de governo, o Partido da Inovação (JIP), a presidente está seguindo os passos de alguns de seus antecessores conservadores, como o falecido Shinzo Abe, que liderou iniciativas para aprovar uma emenda que buscava melhorar a capacidade de defesa do Japão.

Essa possível reforma tem sido criticada pela população japonesa há anos e, em geral, é um ponto de atrito, dadas as divisões significativas na sociedade japonesa, pois coloca o país à beira do belicismo.

O Partido Liberal Democrático (LDP), que está no poder, já havia prometido alterar a constituição durante a campanha eleitoral, pois vê desafios crescentes na política externa do país.

Não é a primeira vez que o partido tenta aprovar uma proposta de renúncia ao Artigo 9 da Constituição, embora seu antigo parceiro de coalizão, o Partido Komeito, tenha relutado em introduzir tais medidas.

O novo governo está apostando na introdução de uma "cláusula de emergência" que lhe permitiria implementar as medidas necessárias no caso de um "desastre ou ataque armado", uma questão que foi abordada em outubro pelos parceiros quando aprovaram a nomeação de Takaichi, que se tornou a primeira mulher a se tornar chefe de governo.

A constituição do Japão, que foi redigida por um comitê de americanos após a guerra e mudou o papel do imperador, permaneceu inalterada por décadas desde que entrou em vigor em 1947. Desde então, nem mesmo um processo de reforma foi iniciado, em parte devido à necessidade de um forte apoio na Dieta (parlamento) do Japão.

Para aprovar a reforma, é necessário o apoio de dois terços em ambas as Câmaras, além do endosso da maioria da população em um referendo nacional realizado após o fato.

Atualmente, o LDP tem o apoio de outros partidos que também querem fazer mudanças significativas nas limitações do exército, que no Japão é conhecido como Forças de Autodefesa, embora o governo não tenha atualmente mais de dois terços de apoio na câmara baixa, embora tenha na câmara alta.

ARTIGO 9

Esse artigo tornou-se uma parte crucial da constituição japonesa, e muitos políticos conservadores o consideram uma "imposição humilhante" da ocupação pós-Segunda Guerra Mundial liderada pelos EUA.

O artigo proíbe que os militares japoneses possuam "forças militares ou potencial de guerra", algo que precisa ser mais "esclarecido", de acordo com o LDP, que recomenda "definir o status legal das forças japonesas" e não mais argumentar que sua existência é inconstitucional.

A versão final da Constituição foi revisada pelas autoridades japonesas e aprovada pela Dieta em 7 de outubro de 1946 com apenas cinco votos contrários. O texto também inclui a responsabilidade do imperador perante o povo e a adoção do pacifismo como objetivo principal. Ele também pede a implementação de um sistema parlamentar que acabaria com os privilégios desfrutados pela nobreza.

Em 2014, o governo Abe tentou aprovar uma medida semelhante que permitia o exercício do direito de autodefesa coletiva se "a existência do país estiver ameaçada e houver um perigo claro de que os direitos do povo à vida e à liberdade sejam anulados".

Isso permitiu que o Japão enviasse tropas como parte de contingentes de manutenção da paz de forma autônoma para países terceiros e participasse de operações de segurança dentro da estrutura da ONU. Entretanto, não obteve apoio suficiente em termos políticos ou sociais, com mais de 60% da população contra.

TENSÕES COM A CHINA

A abertura dessa porta para uma possível reforma constitucional ocorre em um momento de tensões crescentes na região, especialmente com a Coreia do Norte e a China. Desde que assumiu o cargo, Takaichi levantou a possibilidade de medidas retaliatórias diante de uma grande ação militar chinesa em relação a Taiwan.

Essa postura, reiterada por Takaichi, que garantiu que uma possível invasão da ilha colocaria em risco todo o status quo na área, provocou duras críticas da China, cujos representantes chegaram a falar em "cortar a garganta do primeiro-ministro japonês".

A situação chegou a tal ponto que as autoridades chinesas garantiram que tal ação só levaria a uma "nova derrota" para o Japão, um país que eles convidaram a "aprender a lição histórica" de seus próprios fracassos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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