Europa Press/Contacto/Sebastian Marmolejo
MADRID 24 ago. (EUROPA PRESS) -
O líder do Estado-Maior Central (EMC) das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Néstor Gregorio Vera Fernández, vulgo 'Iván Mordisco', respondeu à prisão de seu irmão, Luis Vera Fernández, acusado de ser responsável pelas finanças e logística do tráfico de drogas dentro do grupo guerrilheiro, desafiando o presidente Gustavo Petro a "acabar" com o resto de sua família, o que não o impedirá de continuar a luta armada.
"Não acredito na justiça colombiana, mas confio na justiça revolucionária, os mártires de outras épocas nos levaram à resistência fariana e o que está acontecendo agora será mais um motivo para lutarmos por mudanças estruturais no país que nos permitam liberdade e bem-estar para todos os colombianos", diz a carta.
'Iván Mordisco' enfatiza que "será você, Gustavo Petro, o responsável por eles (seus parentes) viverem ou morrerem, colocando-os como despojos de guerra". "Como você sabe pouco sobre revolução. Nós, revolucionários, não lutamos pela família. Lutamos e damos nossas vidas pela libertação do povo e, nessa luta, vencemos ou morremos. Seu despotismo e arrogância levarão a Colômbia a outras décadas de luta armada pela paz com justiça social", argumentou.
O líder do EMC também expressou sua rejeição aos "shows da mídia", em referência a tentativas anteriores de negociar a paz, e denunciou que eles fazem parte da "estratégia de guerra" do governo.
"Não me juntei às FARC para fazer shows de paz na mídia. Vocês tentaram nos levar a nos rendermos na mesa de diálogo, que não era uma mesa de diálogo, hoje está mais do que claro que foi uma estratégia de guerra para a qual vocês nos convocaram", ressaltou.
Para 'Mordisco', "a paz não é sinônimo de rendição", como propõe "a classe política e oligárquica". "Para nós, a paz é a solução para os problemas sociais, políticos e econômicos. Quando estamos dispostos a discutir a paz com justiça social, podemos nos entender e nos sentar em uma mesa de diálogo, o que nos levaria ao nobre objetivo de resolver os grandes e agudos problemas que nosso país sofre", enfatizou.
A prisão do irmão de 'Ivan Mordisco' ocorreu na sexta-feira como parte da 'Operação Medusa XII', liderada pela Polícia Nacional da Colômbia, que atribuiu ao detido - conhecido como 'Mono Luis' - o papel de "coordenador do tráfico de drogas, finanças criminosas e logística dos dissidentes das FARC no centro e no sul do país".
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