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MADRID, 27 jun. (EUROPA PRESS) -
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, anunciou que já emitiu ordens às tropas israelenses posicionadas no sul do Líbano para que se preparem para “uma longa permanência” na região, após o “histórico” acordo assinado na sexta-feira entre o governo libanês e as autoridades israelenses, que condiciona a retirada israelense do território libanês ao desarmamento do Hezbollah.
“Preparem-se para uma longa permanência na zona de segurança e tomem as medidas necessárias para proteger os soldados das FDI — Forças de Defesa de Israel — e eliminar as ameaças às comunidades do norte”, afirmou Katz em declarações divulgadas pelo jornal “The Times of Israel”.
“Talvez, pela primeira vez em décadas, isso configure uma nova realidade mais segura na fronteira norte e no Líbano”, destacou o responsável israelense, que lembrou que “o importante no acordo é que não haverá retirada enquanto a organização terrorista Hezbollah não estiver desarmada em todo o Líbano”.
Katz confirmou, assim, que as forças israelenses permanecerão nos pontos estratégicos que ocuparam ao sul e também ao norte do rio Litani, como o castelo de Beaufort. “O teste será a aplicação do acordo, e espera-se que ainda haja muitos problemas”, alertou.
O acordo, segundo Katz, “representa também um revés estratégico para o eixo iraniano”. “O Irã tentou obrigar Israel a se retirar do Líbano com ameaças e pressões aos Estados Unidos, mas fracassou”, ressaltou. “Se o Irã tentar atacar Israel para impedir a aplicação do acordo, responderemos com grande força”, advertiu.
Por outro lado, o secretário-geral do Hezbollah, Naim Qasem, condenou sem meias palavras o acordo-quadro e acusou as autoridades libanesas de se terem tornado traidoras. Vincular a retirada israelense ao desarmamento do Hezbollah “é uma proposta muito perigosa que ultrapassa todos os limites e transforma o Líbano em um fantoche nas mãos do inimigo israelense”, repreendeu.
Para Qasem, o acordo é um documento “humilhante, vergonhoso e uma renúncia à soberania”, além de que, aos seus olhos, é “nulo e sem efeito”. Qasem, por sua vez, exige que Israel cumpra os termos do memorando de entendimento assinado no último dia 17 entre os Estados Unidos e o Irã, que de fato abre a porta para a possibilidade de Israel se retirar completamente do Líbano.
O texto definitivo do acordo-quadro assinado na última sexta-feira pelo Líbano e por Israel não implica, de forma alguma, a retirada israelense das áreas que invadiu no sul do país, mas sim uma saída “gradual” e sempre condicionada ao desarmamento das milícias do Hezbollah, válida apenas em duas “zonas-piloto” que, segundo fontes oficiais israelenses, estão além dos limites originais daquilo que Israel chama de “zona tampão”, estabelecida em abril.
O acordo, publicado pelo Departamento de Estado dos EUA, refere-se a um “processo recíproco e gradual” pelo qual o Exército libanês “restabelecerá a soberania efetiva” sobre todo o seu território, no entanto, “enquanto se aguarda o desarmamento verificado” do Hezbollah, que já rejeitou esse acordo e alertou pela enésima vez que não iniciará um processo de desarmamento com base nessas negociações entre Beirute e Tel Aviv.
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