MADRID, 17 jun. (EUROPA PRESS) -
O encarregado de negócios de Israel na Espanha, Dan Poraz, disse nesta terça-feira que os bombardeios que estão sendo realizados no Irã não têm como objetivo a mudança de regime, mas sim acabar com a "ameaça existencial" representada pelo programa nuclear iraniano e seus mísseis balísticos, embora tenha reconhecido que isso poderia ser "uma consequência".
Ele fez isso em uma reunião telemática com vários meios de comunicação, incluindo a Europa Press, na qual deixou claro que "Israel lançou uma operação militar em grande escala contra os programas nucleares e de mísseis balísticos do regime iraniano" porque "um Irã nuclear representa uma ameaça existencial para Israel".
O governo de Benjamin Netanyahu decidiu agir "depois de esgotar os canais diplomáticos e antes que fosse tarde demais", pois "o Irã estava extremamente próximo de obter uma bomba nuclear" e um desses dispositivos teria sido suficiente para aniquilar Israel, o objetivo declarado do regime dos aiatolás desde a Revolução de 1979.
De acordo com Poraz, "nos últimos três meses, sob o pretexto de negociações nucleares com os Estados Unidos, o regime iraniano acelerou drasticamente tanto o enriquecimento de urânio quanto a produção de mísseis balísticos para o nível insano de nove mísseis por dia".
Até o momento, a operação militar causou "danos consideráveis" ao programa nuclear e de mísseis balísticos do Irã - o Irã tem o maior arsenal da região - e "continuaremos com essa operação até vermos que a ameaça existencial representada pela capacidade nuclear do Irã foi neutralizada", disse o diplomata.
Por outro lado, ele deixou claro que "a mudança de regime não é um objetivo, mas pode ser uma consequência da situação". Poraz lembrou que "ninguém esperava que o regime de (Bashar) Al Assad" na Síria "entraria em colapso onze dias após a derrota do Hezbollah" no Líbano, facilitando a chegada ao poder do grupo jihadista Hayat Tahrir al Sham, apoiado por outras facções rebeldes.
De acordo com o encarregado de negócios, "o regime iraniano está muito, muito enfraquecido", mas cabe "ao povo iraniano, a quem desejamos liberdade e prosperidade", mudá-lo. "São eles que têm de decidir por si mesmos sobre seu governo", acrescentou, insistindo que o objetivo da operação é "neutralizar" os programas nuclear e de mísseis balísticos.
FATALIDADES
Por outro lado, Poraz elogiou a eficácia da defesa antiaérea de Israel, a chamada "Cúpula de Ferro", que interceptou boa parte dos mais de 400 mísseis balísticos lançados pelo Irã desde sexta-feira, deixando 24 mortos e dezenas de feridos até agora.
"Israel tem o melhor sistema de defesa aérea do mundo", mas sua eficácia não pode ser de 100%, reconheceu ele, de modo que a "melhor maneira" para os israelenses se protegerem é ir para abrigos e salas seguras em suas casas quando os alarmes dispararem.
"Cada pessoa é uma tragédia, é claro, e é muito doloroso para todo o país", admitiu ele. No entanto, com o número de mísseis balísticos disparados e os danos materiais que eles causaram, o número de mortos "é muito baixo". "Isso se deve ao sistema de defesa aérea, mas também porque as pessoas em Israel estão seguindo os protocolos de segurança.
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