Publicado 13/01/2026 22:09

Israel divulga carta em que Guterres lembra ao governo sua obrigação de proteger a UNRWA

Archivo - Arquivo - 30 de outubro de 2024, Jerusalém, Israel: Na foto, o escritório da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) na Cisjordânia e Jerusalém. Na segunda-feira, 28 de outubro de 2024, o p
Europa Press/Contacto/Nir Alon - Arquivo

Acusa Guterres de “ameaçar” com uma denúncia perante o TIJ, mas o porta-voz do secretário-geral nega MADRID 14 jan. (EUROPA PRESS) - O embaixador de Israel nas Nações Unidas, Danny Danon, publicou nesta terça-feira uma carta atribuída ao secretário-geral da ONU, António Guterres, na qual este lamenta as leis aprovadas no Parlamento israelense para proibir o fornecimento de eletricidade e água às instalações da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos no Oriente Próximo (UNRWA) e lembra que o país é obrigado a proteger a agência e seu pessoal.

“Lamento profundamente que, em 29 de dezembro de 2025, o Knesset de Israel tenha aprovado emendas à Lei de Cessação das Operações da UNRWA, que agora proíbem expressamente a prestação de serviços básicos, incluindo eletricidade e água, e serviços essenciais, como telecomunicações e serviços bancários” à entidade, teria afirmado Guterres, de acordo com o documento — datado de quinta-feira, 8 de janeiro — que o diplomata israelense divulgou na rede social X.

Nele, o representante das Nações Unidas afirma “deplorar” a revogação das leis que tornam efetivos os privilégios e imunidades da UNRWA, seus bens, ativos, funcionários e demais pessoal, e a autorização concedida às autoridades de Israel para tomar posse dos terrenos da agência.

“Gostaria de lembrar que a condição jurídica e o quadro jurídico aplicáveis à UNRWA e ao seu pessoal nos termos do direito internacional permanecem inalterados”, diz a carta, na qual o secretário-geral da ONU lembra que Israel “continua tendo a obrigação de conceder à UNRWA e ao seu pessoal os privilégios e imunidades especificados na Convenção sobre Prerrogativas e Imunidades das Nações Unidas de 1946, incluindo a obrigação de garantir a inviolabilidade de seus bens e ativos”.

DANON: GUTERRES “AMEAÇOU COM UMA DENÚNCIA PERANTE O TIJ” Por sua vez, o embaixador israelense junto ao organismo multilateral afirmou que Guterres “tenta intimidar Israel” e que “ameaçou apresentar uma denúncia contra o Estado de Israel perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ) de Haia” na carta, apesar de o documento anexo não fazer qualquer alusão a este ou a outros tribunais, nem à justiça em um sentido mais amplo.

No entanto, Danon denunciou que o líder da ONU “está tentando encobrir os crimes cometidos pela UNRWA, que atua como filial do (Movimento de Resistência Islâmica) Hamas”. “Acabamos com a UNRWA”, concluiu. O PORTA-VOZ DE GUTERRES NEGA QUE SEJA UMA AMEAÇA

Embora Guterres não tenha se pronunciado sobre esta carta, seu porta-voz, Stéphane Dujarric, referiu-se à carta e defendeu que “não é uma ameaça”, quando questionado sobre ela em uma coletiva de imprensa, na qual insistiu que “o secretário-geral não se dedica a ameaçar os Estados-membros”.

“Foi uma reafirmação das responsabilidades do governo de Israel, uma reafirmação dos direitos das Nações Unidas, conforme acordado na Convenção Geral sobre Privilégios e Imunidades, que esperamos que todos os Estados-membros respeitem”, esclareceu.

Na mesma linha, Dujarric indicou que a carta se refere ao fato de que “em caso de divergência entre a ONU e um Estado-membro, seria possível recorrer ao Tribunal Internacional de Justiça”. Ele também afirmou que Guterres “também escreveu cartas semelhantes ao presidente da Assembleia Geral e ao presidente do Conselho de Segurança para informá-los sobre a situação em relação às instalações da ONU em Jerusalém”.

Guterres já havia condenado, no primeiro dia deste ano de 2026, a referida lei aprovada pela Knesset para cortar o fornecimento às dependências da UNRWA. Ele o fez em um comunicado assinado por seu porta-voz, no qual se referia ao parecer de 22 de outubro da CIJ sobre a inviolabilidade dessas instalações.

Assim, as tensões entre o governo israelense e as Nações Unidas voltaram a escalar para um novo nível apenas um mês depois que a Assembleia Geral da ONU apoiou o parecer consultivo emitido pela CIJ em relação à obrigação de Israel de colaborar com a UNRWA e outras agências da ONU nos territórios palestinos ocupados, em uma moção que teve os votos contrários de Israel e dos Estados Unidos, entre uma dúzia de países que se opuseram.

A fuga de informação realizada pelo embaixador de Israel junto do organismo internacional ocorreu no mesmo dia em que o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, anunciou a decisão do Executivo de “cortar imediatamente todo o contacto” com várias agências das Nações Unidas e organizações internacionais, depois de, na semana passada, a Administração de Donald Trump ter tomado uma medida semelhante, alegando que essas entidades agem contra os interesses do país norte-americano.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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