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O gabinete do governador palestino em Jerusalém e o Hamas falam de "crimes de guerra e crimes contra a humanidade".
MADRID, 22 dez. (EUROPA PRESS) -
As autoridades israelenses demoliram na segunda-feira um edifício residencial de quatro andares no bairro de Silwan, em Jerusalém Oriental, ao sul da Esplanada das Mesquitas, alegando que havia sido erguido sem licença, uma ação que causou o deslocamento de cerca de 100 pessoas e provocou críticas da Autoridade Palestina e do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).
O gabinete do governador palestino em Jerusalém condenou a demolição, chamando-a de "um crime de guerra e um crime contra a humanidade" que "faz parte de uma política sistemática destinada a deslocar à força os cidadãos palestinos e esvaziar Jerusalém de seus habitantes originais". "Faz parte de um plano de judaização e colonização projetado para separar a cidade de seus arredores palestinos e impor à força novas realidades demográficas", disse ele.
Ele enfatizou que "as autoridades de ocupação usam pretextos fracos e recorrentes, principalmente a falta de alvarás de construção, ao mesmo tempo em que impõem amplas restrições à entrega desses alvarás aos palestinos, em flagrante violação do direito internacional e das Convenções de Genebra".
"Qualquer operação de demolição que resulte na expulsão de moradores de suas casas constitui um plano claro da ocupação para substituir os proprietários de casas por colonos", alertou, antes de ressaltar que o governo israelense, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, é "total e diretamente responsável por esse crime e suas repercussões humanitárias, econômicas e sociais".
Nessa linha, ele acusou a comunidade internacional de "seu silêncio e inação" diante dessas atividades das autoridades israelenses e enfatizou que "a mera emissão de declarações superficiais de condenação constitui uma cumplicidade real com a ocupação, que ignora as reações internacionais e continua seus crimes com impunidade".
O gabinete do governador de Jerusalém enfatizou ainda, em uma declaração publicada em sua conta no Facebook, que "a máquina de ocupação realizou cerca de 370 operações de demolição e destruição desde o início deste ano em toda a governadoria (de Jerusalém Oriental)".
Abdulrahman Shadid, um membro sênior da ala política do Hamas, denunciou a demolição como "um crime" e "a maior operação de demolição e deslocamento em massa contra a presença palestina em Jerusalém". "É um ato criminoso que equivale a um crime de guerra e um crime contra a humanidade", disse ele, de acordo com uma declaração no site do grupo.
Shadid disse que o que aconteceu em Silwan "faz soar o alarme sobre planos mais amplos para Jerusalém como parte da política sistemática da ocupação para esvaziar Jerusalém de seus habitantes e impor à força novas realidades demográficas demolindo casas, apertando a cerca e cortando as conexões entre os bairros de Jerusalém".
"Isso faz parte dos projetos de assentamento e judaização que visam assumir o controle total da cidade", disse ele, ao mesmo tempo em que criticou o fato de essa medida ter deixado treze famílias desabrigadas, "num total de cerca de cem pessoas, a maioria das quais são crianças e mulheres". "Trata-se de um ataque à dignidade humana, um aumento da política de punição coletiva e uma expansão da guerra de extermínio e deslocamento lançada pela ocupação contra Gaza", destacou.
Por fim, ele enfatizou que "a brutalidade e os crimes da ocupação não intimidarão os palestinos em Jerusalém" e alertou sobre o "perigo" representado pelo "contínuo silêncio internacional diante desses crimes". "A comunidade internacional, as Nações Unidas e suas instituições jurídicas e de direitos humanos têm total responsabilidade por sua incapacidade de conter a ocupação", acrescentou.
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