Europa Press/Contacto/Hadi Daoud
MADRID, 9 abr. (EUROPA PRESS) -
O Exército de Israel assumiu nesta quinta-feira a responsabilidade pelo assassinato, na quarta-feira, de um jornalista da emissora de televisão catariana Al Jazeera durante um bombardeio contra a Faixa de Gaza, ao qual já havia apontado em 2024 como suposto membro do braço armado do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).
Assim, indicou em um comunicado que o jornalista, Mohamed Wishah, era “um terrorista-chave” na “produção de foguetes e armas” do Hamas, antes de afirmar que “planejava a execução de ataques terroristas contra elementos das Forças de Defesa de Israel (FDI) que operam no centro da Faixa de Gaza”.
“Durante a guerra, Wishah trabalhou na produção de drones, foguetes e armas, e esteve envolvido na transferência de armas para Gaza”, afirmou, antes de insistir que “atuava sob o disfarce de jornalista da Al Jazeera e aproveitou essa identidade para promover atos terroristas contra as FDI e o Estado de Israel”.
Nesse sentido, afirmou que “o terrorista contribuiu para melhorar as capacidades da organização terrorista Hamas” e reiterou que suas forças continuam mobilizadas em zonas do enclave “em conformidade com o acordo” alcançado em outubro de 2025 para aplicar a proposta dos Estados Unidos para o futuro da Faixa, que incluiu um cessar-fogo.
A Al Jazeera, que rejeitou as acusações de Israel contra o jornalista, classificou o ataque como um “crime atroz”. “Trata-se de uma nova e flagrante violação de todas as leis e normas internacionais e reflete uma política sistemática de ataques contra jornalistas e de silenciamento da voz da verdade”, afirmou a emissora.
“Enquanto a Al Jazeera está de luto por seu correspondente Mohamed Wishah, que ingressou na emissora em 2018, ela afirma que seu assassinato não foi um ato aleatório, mas um crime deliberado e direto destinado a intimidar jornalistas e impedi-los de realizar seu trabalho profissional”, sustentou a emissora do Catar.
Wishah morreu na quarta-feira junto com outro palestino em um bombardeio contra um veículo na principal rodovia da cidade de Gaza (norte), elevando para 262 o número de jornalistas palestinos mortos por ataques israelenses, segundo dados do escritório de imprensa das autoridades de Gaza, controladas pelo Hamas.
O Ministério da Saúde de Gaza indicou em seu último balanço que, desde o início do cessar-fogo, foram confirmadas 733 mortes e 2.034 feridos, bem como a recuperação de 759 corpos em áreas das quais as tropas israelenses se retiraram na sequência do referido acordo, em meio a denúncias do Hamas sobre contínuas violações israelenses do pacto.
Além disso, destacou que, desde o início da ofensiva lançada por Israel em resposta aos ataques de 7 de outubro de 2023 —que deixaram cerca de 1.200 mortos e cerca de 250 sequestrados, segundo o balanço oficial— foram registrados 72.312 “mártires” e 171.134 feridos, embora tenha ressaltado que ainda há corpos sob os escombros e espalhados pelas ruas.
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