Europa Press/Contacto/Nasser ishatyeh
MADRID, 26 jul. (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e seu ministro da Defesa, Israel Katz, anunciaram neste domingo a ampliação das atividades militares do Exército no território ocupado da Cisjordânia, cenário, há dias, de uma recrudescência de ataques de colonos israelenses contra populações palestinas, que na sexta-feira atingiu seu auge com a morte de quatro palestinos e dois israelenses durante um ataque à localidade de Tell.
Katz, que na última sexta-feira já havia anunciado que reforçaria o atual destacamento militar, afirmou que não vai parar por aí. “Além das operações já em andamento, estão sendo consideradas medidas semelhantes para identificar onde a atividade terrorista é organizada e onde devemos atacar para desmantelá-la e impedir que continue”, afirmou durante a reunião semanal do Conselho de Ministros israelense.
“Estamos nos preparando para agir em maior escala contra os ninhos dos terroristas”, confirmou, por sua vez, Netanyahu, dando continuidade à grande ofensiva lançada por Israel na Cisjordânia no início do ano passado, no contexto da guerra de Gaza; uma enorme operação contra supostas células das milícias do Hamas que resultou em milhares de deslocamentos forçados e incidentes violentos.
Segundo dados das Nações Unidas, militares ou colonos israelenses mataram 1.244 palestinos, entre eles 268 crianças, em seus ataques na Cisjordânia de 2023 até o final do ano passado. Nos últimos três anos, de 2023 até o final de 2025, 43 colonos israelenses morreram, entre eles dez crianças.
Um número recorde de palestinos na Cisjordânia — quase 46.000 — foi deslocado à força nos últimos três anos, em comparação com pouco mais de 13.000 nos 14 anos anteriores, devido às operações militares israelenses, à violência dos colonos, às demolições e às restrições de acesso.
Somente nos primeiros três meses deste ano, foram registrados mais de 540 ataques de colonos, 33 palestinos mortos e mais de 2.200 deslocados. Mais de 60 infraestruturas de água e saneamento foram atacadas, incluindo tubulações, sistemas de irrigação e reservatórios de água, o que afetou negativamente o acesso à água em 32 comunidades palestinas.
Nos últimos dias, os colonos israelenses atacaram dezenas de povoados, incendiaram mesquitas e instalaram “postos avançados” que são ilegais até mesmo segundo a própria lei israelense, embora o primeiro-ministro Netanyahu tenha prometido fazer tudo o que estiver ao seu alcance para regularizá-los.
De modo geral, segundo uma análise da Oxfam publicada neste mês, nos últimos três anos morreram mais palestinos às mãos do Exército israelense e dos colonos na Cisjordânia ocupada do que nos 17 anos anteriores somados.
ABBAS PEDE INTERVENÇÃO URGENTE DA COMUNIDADE INTERNACIONAL
Diante dessa situação, o presidente da Autoridade Palestina (o governo palestino na Cisjordânia reconhecido pela comunidade internacional), Mahmoud Abbas, pediu a seus aliados que tomem medidas imediatas a respeito.
“O que está ocorrendo não são mais apenas atos isolados de violência, mas sim uma política israelense sistemática destinada a impor novas realidades no terreno por meio da expansão dos assentamentos, a escalada do terrorismo dos colonos e o enfraquecimento das instituições da Autoridade Nacional Palestina”, afirmou ele em um comunicado divulgado pela agência oficial de notícias palestina Wafa.
“Essas políticas têm como objetivo expulsar os cidadãos palestinos de suas terras, com as graves consequências que isso poderia acarretar e o que poderia resultar em termos de escalada da tensão e enfraquecimento dos esforços regionais e internacionais destinados a alcançar a paz”, acrescentou.
Por isso, Abbas pediu à comunidade internacional que aplique as resoluções pertinentes do Conselho de Segurança, especialmente a Resolução 2334 (que afirma a ilegalidade dos assentamentos em todos os territórios palestinos), “conceda proteção internacional ao nosso povo e garanta que Israel, a potência ocupante, respeite suas obrigações nos termos do direito internacional e do direito internacional humanitário”.
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