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MADRI, 26 ago. (EUROPA PRESS) -
O governo de Israel acusou nesta quarta-feira o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, de “não dizer a verdade” sobre a tomada, pelas forças israelenses, de um centro educacional em Jerusalém administrado pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA).
“Você simplesmente não está dizendo a verdade, mais uma vez”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Oren Marmorstein, em resposta à condenação de Guterres a essas ações de Israel, que exigiu que as autoridades israelenses “cessem imediatamente sua interferência nas instalações da UNRWA, desocupem, devolvam e restabeleçam sem demora todas as instalações afetadas às Nações Unidas”.
Assim, Marmorstein destacou em uma mensagem nas redes sociais que “a UNRWA nunca teve direitos de propriedade sobre a instalação e a ocupava ilegalmente”, antes de acrescentar que “pretende-se que a instalação sirva como escola e centro comunitário para crianças árabes do bairro de Kafr Aqab”.
“O senhor e a UNRWA preferem lançar ataques infundados contra Israel a agir em prol dos interesses das crianças de Kafr Aqab. Isso é cinismo na sua pior forma”, destacou, ao mesmo tempo em que defendeu que as ações israelenses “foram realizadas em conformidade com a legislação israelense e internacional”.
Nesse sentido, ele lembrou que Israel aprovou uma lei para proibir as atividades da UNRWA no país “à luz de provas conclusivas de que funcionários da UNRWA participaram do massacre de 7 de outubro (de 2023), de que funcionários da UNRWA eram agentes terroristas e de que instalações da UNRWA foram utilizadas sistematicamente para atividades terroristas”.
O governo de Israel acusou, em várias ocasiões, a agência de supostas ligações com o movimento islâmico palestino na sequência dos ataques de 7 de outubro de 2023, embora uma investigação externa liderada pela ex-ministra das Relações Exteriores da França, Catherine Colonna, tenha descartado que as autoridades israelenses tivessem apresentado provas que sustentassem essas alegações.
Guterres condenou na terça-feira as ações de Israel e mostrou-se “profundamente alarmado” com uma medida que Israel justificou com um plano para construir uma estrada e um “complexo educacional” no local, e alertou que isso impedirá os estudantes de continuarem sua formação. “Por mais de 70 anos, o centro tem prestado apoio a milhares de refugiados palestinos por meio da formação profissional e de oportunidades de acesso ao emprego”, lembrou ele.
A UNRWA foi criada em 1949 pela Assembleia Geral da ONU com o mandato de prestar assistência humanitária e proteção aos refugiados palestinos no Oriente Médio até que se chegasse a uma solução para sua situação. Assim, ela atua na Cisjordânia — incluindo Jerusalém Oriental —, na Faixa de Gaza, na Jordânia, no Líbano e na Síria.
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