Publicado 28/08/2026 09:15

A Islândia decide neste sábado se retoma o processo de adesão à UE, com uma ligeira vantagem do “sim”

Bruxelas comemora o possível retorno às negociações diante das dúvidas sobre o futuro da pesca nacional e da ameaça da desinformação

Archivo - Arquivo - 3 de agosto de 2015 - O luxuoso navio de cruzeiro Le Boreal, da Compagnie du Ponant francesa, após ter percorrido o caminho sinuoso e estreito ao longo das imponentes falésias verticais de Heimaklettur, entra no porto de Heimaey. A ens
Europa Press/Contacto/Arnold Drapkin - Arquivo

MADRID, 28 ago. (EUROPA PRESS) -

Quase 400 mil islandeses decidirão neste sábado se o país retomará, após mais de uma década, o processo de adesão à União Europeia, em um referendo no qual, segundo as pesquisas, os defensores da continuação das negociações constituem, neste momento, uma maioria muito estreita, em contraposição a um setor considerável da população que manifestou sua rejeição ao processo, em grande parte devido às incertezas que a adesão suscita no setor pesqueiro, que representa 40% da economia do país.

A Islândia iniciou as negociações em 2010, mas as suspendeu três anos depois, precisamente, entre outros fatores, devido ao atrito sobre as implicações na política comum de pesca. A adesão à União Europeia poderia implicar a cessão de parte do controle do setor a Bruxelas, como voltou a alertar durante a campanha do referendo a líder da oposição islandesa, Gudrún Hafsteinsdóttir.

A primeira-ministra Kristrún Frostadóttir e, sobretudo, o ministro liberal da Economia, Dadi Már Kristófersson — impulsionador do referendo — defenderam a adesão, explicando primeiro à população que poderiam obter de Bruxelas concessões significativas no setor pesqueiro e, em seguida, argumentando que a adoção do euro poderia trazer um benefício muito significativo para as empresas islandesas e para a população islandesa em geral.

Além disso, ambos consideram que o país nórdico está em uma posição muito mais forte do que há 20 anos, quando a crise econômica quase levou suas instituições financeiras à ruína e acabou por inviabilizar as negociações com a União Europeia.

Bruxelas comemorou, desde o início, a mera possibilidade de a Islândia se incorporar ao bloco europeu após o que seria um processo de adesão relativamente rápido. Afinal, “o país já faz parte do Mercado Único”, lembrou esta semana a comissária de Ampliação da UE, Marta Kos, “e poderia concluir as negociações de adesão em um ou dois anos a partir de agora”.

Afinal, a Islândia é um país rico, estável, perfeitamente alinhado aos valores da União Europeia e, além disso, membro da OTAN, com importância em matéria de segurança devido à sua localização geoestratégica no Atlântico Norte.

QUASE 49% CONTRA A RETOMA DAS NEGOCIAÇÕES

O fato é que todas essas razões ainda não convencem quase metade dos entrevistados, em um país onde a pesca continua pesando demais na consciência de 48,7% da população que não tem intenção de votar a favor do reinício das negociações, segundo uma pesquisa da Maskina publicada esta semana pelo jornal islandês “Visir”; uma margem muito apertada em relação aos 51,3% que se declararam a favor de voltar à mesa de negociações e que ainda estão longe de comemorar a vitória.

Diante dessa recusa, o governo islandês insistiu que pretende proteger seu setor pesqueiro contra a política comum europeia. Seu objetivo principal é, conforme afirma o site oficial do governo, declarar a zona marítima que circunda a Islândia como uma zona especial de gestão pesqueira, sob o controle de Reykjavík, incluindo a determinação das capturas totais permitidas e a atribuição de cotas de pesca, o que deixaria a ilha à margem da política pesqueira da UE.

Além disso, o governo islandês deseja consolidar suas restrições, atualmente em vigor em nível nacional, ao investimento estrangeiro na pesca islandesa, incluindo disposições sobre os vínculos econômicos entre os operadores de embarcações e as unidades de processamento nos portos. Diante dessas relutâncias, a Comissão Europeia abriu as portas para encontrar “soluções criativas” para resolver a questão.

Por enquanto, e embora seja necessário mais um referendo caso Bruxelas e Reykjavík concluam com sucesso as negociações de adesão, a primeira-ministra Frostadóttir vê a votação de amanhã como um momento crucial para a relação com a Europa, e uma rejeição simplesmente acabaria com qualquer tipo de aspiração nesse sentido. “O povo”, afirmou ela em maio, “terá a palavra final”.

PEDE UMA CONSULTA SEM INTERFERÊNCIAS

Uma decisão final que, espera o governo, deve ocorrer sem “interferências”, pois a ministra das Relações Exteriores da Islândia, Thorgerdur Katrín Gunnarsdóttir, alertou nesta mesma semana que grupos tanto dentro quanto fora do país estão tentando “semear o medo” em vista do referendo.

O país inteiro, alertou ela, está sendo alvo de desinformação e de uma retórica tirada “do manual de Nigel Farage e do Reform”, em referência ao fato de a Islândia estar enfrentando um “momento Brexit”, no que diz respeito à interferência estrangeira para tentar influenciar o resultado da consulta.

Nesse sentido, ela alertou que a votação pode ser alvo de “atores que buscam influenciar negativamente o debate público”. “A interferência estrangeira e a disseminação de desinformação podem acabar afetando o resultado”, afirmou a ministra das Relações Exteriores da Islândia.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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