Publicado 27/01/2026 11:03

A irmã do camarero do Alvia recusou o funeral de Estado: «Não vou partilhar espaço com os seus assassinos».

Trabalhadores realizam tarefas de remoção dos vagões no local do acidente ferroviário de Adamuz, em 24 de janeiro de 2026, em Adamuz (Córdoba, Andaluzia). Os trabalhos na zona do acidente ferroviário ocorrido no passado
Guillermo Morales - Europa Press

O filho da falecida Nati de la Torre garante que em Huelva, “terra de María”, não se identificam com um funeral de Estado laico MADRID/SEVILHA 27 jan. (EUROPA PRESS) -

O funeral de Estado organizado pelo governo para 31 de janeiro em Huelva para homenagear as vítimas do acidente ferroviário de Adamuz (Córdoba) foi rejeitado por algumas vítimas alegando diferentes motivos e, finalmente, foi cancelado pelo governo. No caso da irmã de Agustín Fadón — o camareiro do Alvia falecido —, Mar Fadón, deixou claro que não comparecerá a nenhuma homenagem ou funeral pelas vítimas da tragédia em que haja representação do governo. Enquanto isso, o filho da também falecida Nati de la Torre afirmou que em Huelva não se identificam com um funeral laico.

“Não vou compartilhar nem tempo nem espaço com os assassinos do meu irmão”, afirmou Mar Fadón em declarações à Europa Press. Nesse sentido, ela explicou que no domingo passado o delegado do governo em Madri, Francisco Martín Aguirre, entrou em contato com ela para convidá-la para o funeral de Estado que o governo havia previsto para o próximo dia 31 de janeiro em Huelva e que foi cancelado no último fim de semana.

Mar Fadón explicou que recusou o convite porque tem certeza de que não irá a esse evento “nem a nenhum outro organizado pelo governo”. Ela também não comparecerá à missa fúnebre que será realizada na próxima quarta-feira em Huelva, no Palácio dos Esportes Carolina Marín.

A este último, que não foi organizado pelo governo, anunciaram ontem a sua presença os reis Felipe VI e Letizia e, esta mesma manhã, fontes do Ministério das Finanças confirmaram que também estará presente a primeira vice-presidente, ministra da pasta e candidata à Junta de Andaluzia, María Jesús Montero. “A única homenagem que peço é que consertem os trilhos para a segurança dos colegas do meu irmão”, reforçou Mar Fadón.

REJEIÇÃO DO FUNERAL LAICO Da mesma forma, Fidel Saenz de la Torre, filho de Natividad de la Torre, também falecida no acidente ferroviário de Adamuz, quando regressava de Madrid com os netos a quem tinha levado para ver o Rei Leão, explicou publicamente na rede social Instagram, há algumas horas, os motivos pelos quais a sua família não considera como "próprio" um funeral de Estado laico celebrado em Huelva. "Hoje quis explicar, com respeito e dor, porque é que em Huelva, terra de María, não sentimos como nosso um funeral de Estado laico", afirmou Sáenz na carta recolhida pela Europa Press. Ele precisou que suas palavras não são em nome de ninguém além de sua família e de “muitas outras” que compartilham seu sentimento. QUANDO A DOR NÃO TEM PALAVRAS, O REFÚGIO É A FÉ

Nesse sentido, ele ressaltou que, como crentes e familiares das vítimas, nos momentos mais difíceis, “quando a dor não tem palavras”, a fé “não é um símbolo nem uma ideologia, mas um refúgio, um consolo e uma esperança”. “É a forma como muitos de nós aprendemos a nos despedir dos nossos, a encomendá-los e a encontrar um pouco de paz”, acrescentou.

Sáenz defendeu ainda que a oração e o ritual religioso “não excluem ninguém nem impõem nada”, mas permitem às famílias “chorar como sabemos fazer” e sentir que os seus entes queridos “não se vão embora completamente”. “Ajudam-nos a pensar que continuam a ser abraçados por algo maior do que nós”, afirmou.

Ele também apelou à compreensão e lembrou que Huelva é “uma terra profundamente mariana”, na qual a fé faz parte da identidade, da cultura e da maneira de encarar a vida e a morte. “As vítimas merecem ser despedidas como merecem, com fé. Pedir isso não é dividir, é falar a partir do amor e da verdade do coração”, acrescentou.

LAMENTA QUE O GOVERNO OLHE PARA OUTRO LADO Em outra carta aberta anterior a esta, o filho de Natividad de la Torre apontou que as vítimas não pedem explicações técnicas, mas “humanidade, um rosto que olhe de frente e uma voz que não se esconda”.

Mas lamentou que, quando o governo “olha para outro lado” e quando o “silêncio pesa mais do que as palavras”, elas se agarram àquele que nunca solta a mão delas, em referência a Jesus de Nazaré.

“Isso não é um ataque, muito menos, é um apelo que vem da alma, porque governar não é apenas construir estradas, é mantê-las, é caminhar com aqueles que caem nelas”, argumentou em seu escrito.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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