Arsenio Zurita - Europa Press
GRANADA 15 set. (EUROPA PRESS) -
Lara Tacoronte, irmã da estudante da Universidade de Granada (UGR), Claudia Tacoronte, de 21 anos, assassinada no último sábado no estado mexicano de Morelos, onde se encontrava participando de um programa de mobilidade, questionou “por que lhe designaram” esse destino e demonstrou sua “indignação” e a de seus pais em relação à organização do intercâmbio.
Assim, em um vídeo divulgado em suas redes sociais, a jovem afirma sobre sua irmã Claudia: “Não foi você quem disse que ela queria ir para o México e para essa região específica, ou para esse país específico. Não, ela se inscreveu para o intercâmbio e foi designada para esse lugar”. Em seguida, ela pergunta: “Como você pode mandar alguém para esse lugar? Uma mulher para um lugar onde, há pouco tempo, há uma semana, mataram duas garotas”.
Visivelmente emocionada, Lara descreve no vídeo as circunstâncias da morte de sua irmã, aluna do quarto ano de Educação Infantil da UGR em intercâmbio no estado mexicano de Morelos, e expõe: “Alguém tentou roubar o celular dela, um homem, saiu correndo, ele foi atrás dela, enfiou uma faca na barriga dela, não uma vez, mas várias, ao que parece, sem qualquer tipo de justificativa”.
Lara expõe as objeções que os pais da jovem assassinada tinham em relação à ida de Claudia ao México: “Meus pais estavam obviamente preocupados com ela, com medo de que algo ruim pudesse acontecer”; e acrescenta que, antes de sua irmã chegar ao país norte-americano, “eles não tinham sido avisados, ela não sabia de nada; acontece que, na universidade onde ela iria estudar lá, há pouco tempo, outras duas garotas haviam sido assassinadas”.
Nesse contexto, Lara afirma que tanto ela quanto seus pais estão “muito irritados” com a organização do programa de mobilidade estudantil; e, ecoando outras declarações sobre o contato com sua família, ela afirma que “absolutamente ninguém” ligou para ela nem para seus pais, nem “ninguém” perguntou “nada” a eles, exceto por “questões legais e trâmites burocráticos”.
Sobre a investigação do assassinato de sua irmã, ela ressalta que espera que “investiguem bem o caso. Que, por favor, encontrem esse cara, porque não é justo que ele esteja por aí tão feliz, vivendo a vida dele, quando matou alguém. E, de verdade, que façam algo a respeito”, acrescentou.
SUSPENSÃO DO PROGRAMA DE MOBILIDADE PELA UGR
A Universidade de Granada (UGR) anunciou nesta última segunda-feira que suspendeu o programa de mobilidade de três estudantes que tinham uma estadia prevista na Universidade Autônoma do Estado de Morelos (México), após o falecimento da estudante de intercâmbio dessa universidade, Claudia Tacoronte Aguilera. Além disso, a UGR ofereceu aos demais estudantes com mobilidade prevista para o México a possibilidade de mudar de destino.
Foi o que explicou a vice-reitora de Internacionalização da UGR, Inmaculada Concepción Marrero Rocha, em um áudio enviado à imprensa, no qual destacou que esses três estudantes foram informados de que sua mobilidade para essa universidade foi suspensa e que serão realocados para outros destinos da oferta de mobilidade internacional da UGR, de acordo com suas preferências.
Além disso, ela indicou que a UGR entrou em contato com o restante dos estudantes que têm um intercâmbio previsto no México. Mais especificamente, 17 já chegaram aos seus destinos durante este primeiro semestre, enquanto outros 24 se incorporariam ao longo do ano letivo. A todos eles, explicou ela, foi comunicado que, “caso se sintam inseguros devido ao ocorrido ou não se sintam à vontade em seus destinos atuais, podem solicitar uma realocação”.
Nesse sentido, a vice-reitora esclareceu que a convocatória para o intercâmbio internacional ocorre todos os anos no mês de novembro e que a UGR analisa “minuciosamente” os destinos oferecidos, levando em conta as recomendações do Ministério da Ciência, Inovação e Universidades em relação às regiões, cidades e áreas para as quais é aconselhável viajar.
PESQUISA
A governadora do estado mexicano de Morelos, Margarita González Saravia, destacou a existência de “avanços significativos” na investigação sobre o assassinato, na cidade de Cuautla, da estudante espanhola Claudia Tacoronte Aguilera, que estava em intercâmbio no México, antes de prometer que as autoridades “encontrarão o responsável” para fazer “justiça” à vítima.
González Saravia revelou, em um comunicado publicado nas redes sociais, que, nas últimas horas, se reuniu com o cônsul-geral da Espanha no México, Marcos Rodríguez Cantero, para discutir os “avanços significativos” na investigação do caso, embora até o momento não tenham ocorrido prisões.
Por sua vez, o procurador-geral de Morelos, Fernando Blumenkron, afirmou que a investigação em andamento é “transparente” e “profissional” e acrescentou que “ainda não se descarta nenhuma linha de investigação”, incluindo a possibilidade de um roubo.
“A Procuradoria-Geral interveio imediatamente assim que tomou conhecimento desses fatos lamentáveis, seguindo o protocolo de feminicídio e, portanto, a Promotoria especializada nesse crime está conduzindo o inquérito”, afirmou. “A remoção do corpo, a autópsia, tudo o que foi feito até hoje foi feito com perspectiva de gênero; é muito importante ressaltar isso”, destacou.
Blumenkron confirmou ainda à imprensa que os investigadores solicitaram a entrega das gravações das câmeras de segurança “próximas”, incluindo as de “particulares”, bem como “o que possa ser fornecido pela diretoria da Casa da Cultura” de Cuautla, onde Tacoronte Aguilera faleceu.
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