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MADRID 29 jun. (EUROPA PRESS) -
O governo do Iraque estabeleceu 30 de setembro como prazo final para concluir o desarmamento das milícias e consolidar o controle exclusivo do Estado sobre as armas, coincidindo com a retirada prevista das tropas americanas do país.
“Todos os grupos armados foram informados de uma data específica (...) que é 30 de setembro, data em que também termina a presença da coalizão internacional”, afirmou seu porta-voz, Haider al Abudi, em uma coletiva de imprensa divulgada pela agência de notícias iraquiana Shafaq.
Após essa data, destacou ele, qualquer arma de fogo que permanecer em posse será considerada “irregular” pelas autoridades iraquianas, sem fornecer mais detalhes sobre suas consequências nem sobre como procederão após 30 de setembro.
Sobre o assunto, também se pronunciou o primeiro-ministro iraquiano, Ali al Zaidi, que, em entrevista concedida ao jornal ‘Asharq al Awsat’, anunciou a organização de uma “Conferência de Soberania Nacional, que consagrará o monopólio estatal do uso da força” e que está prevista para ocorrer “no final” de 2026.
Questionado sobre o desarmamento das milícias, previsto em seu programa de governo, o primeiro-ministro considerou que “o primeiro passo é a aceitação pública do desarmamento, o que é significativo e importante” e lembrou que as autoridades iraquianas já receberam armas de grupos como Kataib al Imam Alí, Asaib Ahl al Haq e Saraya al Salam (Brigadas da Paz). “Mas o mais importante (...) é romper o vínculo entre a facção e os combatentes sob seu comando”, esclareceu.
De fato, as armas dessas facções estão agora sob o controle do Estado, restando apenas algumas poucas. O processo de transferência dessas armas para as Forças Armadas terá início imediatamente. “Acreditamos que a resistência é uma necessidade, não uma profissão, e essa necessidade já cessou. Não aceitaremos a existência de um Estado dentro de outro Estado”, afirmou.
O Iraque é um país-chave na guerra entre o Irã, os Estados Unidos e Israel, dada a enorme influência de Teerã sobre Bagdá. De fato, o país foi afetado tanto pelos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra instalações e grupos pró-iranianos no país quanto pelos ataques lançados pelo Irã em retaliação à ofensiva surpresa contra seu território no final de fevereiro, aos quais se juntaram milícias iraquianas próximas à República Islâmica.
Os números são difíceis de precisar, mas grupos de especialistas internacionais estimam que somente as Forças de Mobilização Popular (FMP) — aliança concebida em 2014 pelo clérigo xiita Ali al-Sistani e pela Guarda Revolucionária do Irã para combater o Estado Islâmico no país — somam cerca de 150 mil combatentes.
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