Publicado 20/04/2026 05:34

O Irã ressalta que “não há uma decisão” sobre a participação em mais uma rodada de negociações com os EUA no Paquistão

Teerã acusa Washington de "não levar a sério" e de "contradizer" com suas ações suas declarações a favor da diplomacia

Archivo - Arquivo - O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei (arquivo)
Iranian Foreign Ministry/ZUMA Pr / DPA - Arquivo

MADRID, 20 abr. (EUROPA PRESS) -

O governo do Irã reiterou nesta segunda-feira que, por enquanto, “não tomou uma decisão” sobre a participação em uma segunda rodada de negociações com os Estados Unidos no Paquistão e acusou Washington de “não levar a sério” seus esforços diplomáticos devido às suas ações, que “contradizem” suas declarações a favor do avanço de um processo de negociações.

"Ainda não temos planos para uma nova rodada de negociações e não foi tomada nenhuma decisão nesse sentido", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, que destacou que "enquanto fala de diplomacia e disposição para negociações, os Estados Unidos realizam ações que não indicam, de forma alguma, seriedade em relação à continuidade do processo diplomático".

“A equipe de negociação iraniana deve acompanhar os processos diplomáticos com vigilância e absoluta precisão, dado que os Estados Unidos continuam insistindo em posições pouco realistas”, afirmou, antes de lembrar que Washington “traiu a diplomacia e violou o Direito Internacional em duas ocasiões durante as negociações”, conforme informou a agência de notícias iraniana Mehr.

Baqaei referiu-se assim ao fato de que as duas ofensivas contra o país asiático — em junho de 2025 e fevereiro de 2026 — foram desencadeadas de surpresa em meio a processos de negociações indiretas para tentar alcançar um novo acordo nuclear, depois que Washington se retirou unilateralmente, em 2018, do acordo assinado três anos antes.

Além disso, ele destacou que “desde o início do cessar-fogo (alcançado em 8 de abril), tem sido necessário enfrentar um Estados Unidos que renega seus compromissos e faz declarações contraditórias”, antes de insistir que o bloqueio no estreito de Ormuz e o ataque e abordagem de um navio iraniano no domingo constituem “um ato de agressão”.

“As declarações não são consistentes com o comportamento, e o Irã toma decisões adequadas levando em conta seus interesses”, afirmou Baqaei, que lamentou que “os Estados Unidos já tentaram isso anteriormente e insistem em repetir erros, e receberão a mesma resposta que receberam antes”, conforme divulgado pela rede de televisão pública iraniana, IRIB.

Baqaei enfatizou ainda que os ataques israelenses contra o Líbano, apesar do cessar-fogo, “constituem outro exemplo de como a outra parte acusa a outra para encobrir suas falhas”. “Os Estados Unidos são claramente culpados de violar o cessar-fogo”, sublinhou, referindo-se à situação no Líbano e à continuação do referido bloqueio norte-americano no estreito de Ormuz.

“Depois de anunciar um cessar-fogo no Líbano e a reabertura do Estreito de Ormuz, de acordo com as questões levantadas, anunciou que manteria seu bloqueio naval (contra o Irã), o que demonstra que Washington não leva a sério o processo de negociações”, acrescentou o porta-voz da diplomacia iraniana.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou o envio de sua delegação a Islamabad com o objetivo de retomar as negociações na próxima terça-feira, 21 de abril, embora ainda haja dúvidas se ocorrerá um segundo encontro para um acordo que ponha fim à ofensiva lançada de surpresa em 28 de fevereiro por Israel e pelos Estados Unidos contra o país asiático.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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