Gavriil Grigorov / Zuma Press / Europa Press / Con
MADRID, 7 jul. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, ressaltou nesta terça-feira que as negociações com os Estados Unidos para chegar a um acordo de paz não serão retomadas “se as ameaças continuarem”, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que “concluiria o trabalho” caso não houvesse um acordo entre Teerã e Washington.
“As negociações sobre o acordo final não terão início se as ameaças continuarem. Respeitem o que foi assinado”, disse Araqchi em uma mensagem nas redes sociais, citando o artigo 13 do memorando de entendimento assinado entre os dois países, que estabelece que ambos “iniciarão as negociações sobre o acordo final somente após o cumprimento das demais cláusulas”.
Entre elas figura o ponto um, que inclui um “fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano”, e o compromisso de “não iniciar nenhuma guerra ou operação militar contra a outra parte e evitar a ameaça ou o uso da força contra a outra parte”.
A mensagem de Araqchi foi divulgada depois que Trump afirmou na segunda-feira que os Estados Unidos “vão vencer de uma forma ou de outra”. “Vamos chegar a um acordo ou vamos concluir a tarefa. Não seria difícil concluir a tarefa. Prefiro chegar a um acordo, porque não quero afetar 91 milhões de pessoas”, afirmou à imprensa na Casa Branca.
“Podemos derrubar suas pontes em uma hora, podemos cortar o fornecimento de energia a eles, todas aquelas belas, grandes e modernas usinas que construíram”, destacou. “Agora eles não têm dinheiro. Não lhes demos dinheiro”, observou, antes de acrescentar que tudo isso poderia ser destruído “em uma pequena parte de uma tarde”.
Em resposta às palavras de Trump, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Baqer Zolqader, exigiu que o morador da Casa Branca “fale com respeito ao povo do Irã” ou se exponha a receber uma resposta “em outra língua”, conforme divulgou a rede de televisão pública iraniana, IRIB.
“Anteriormente, como chefe de um país sem raízes e com 250 anos de história, o senhor se expressou em termos semelhantes sobre a destruição da civilização milenar do Irã, e o resultado para o senhor não foi nada além de derrota e desespero, bem como um pedido de negociações e um cessar-fogo”, afirmou. “Os iranianos não se deixam influenciar pela linguagem das ameaças”, concluiu.
Teerã e Washington estão imersos em um processo de negociações na sequência do cessar-fogo acordado em 8 de abril, que, até o momento, resultaram na assinatura do referido memorando de entendimento, que concede 60 dias para avançar rumo a um acordo de paz definitivo que ponha fim à guerra aberta no Oriente Médio, desencadeada pela ofensiva lançada de surpresa em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra o país asiático.
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